PBH afirma que irá tomar providências a partir do relatório da Cowan

Após divulgação de relatório técnico na tarde desta terça-feira (22), Cowan afirma que ainda há riscos de acidentes; prefeitura promete apurar o fato

iG Minas Gerais | JOSÉ VÍTOR CAMILO E ENNIO RODRIGUES |

A Secretaria Municipal de obras, por meio da Superintendência de Desenvolvimento de Belo Horizonte (Sudecap), está analisando o relatório apresentado na tarde de hoje, dia 22 de julho, pela construtora Cowan para tomar as providências que julgar necessárias em relação ao viaduto Batalha dos Guararapes.

Segundo o parecer técnico apresentado nesta tarde, a alça norte do viaduto Batalha dos Guararapes também possui risco de desabar. Por isso, o relatório recomenta o isolamento total da avenida Pedro I, na altura do bairro São João Batista, em Venda Nova. Parte do viaduto desabou no início do mês, causando a morte de duas pessoas e ferindo outras 21.

O documento foi elaborado por uma empresa contratada pela Cowan, responsável pela obra, e divulgado na tarde desta terça-feira (22). De acordo com a empresa o bloco da estrutura que desabou tinha um décimo do aço necessário para suportar o peso total que possuia. A Consol, empresa autora do projeto, ainda não se posicionou.

Projeto executivo com falhas

As informações entregues durante a coletiva pelo calculista Catão Francisco Ribeiro, responsável por mais de 2.200 projetos de pontes e viadutos, permitem concluir que o projeto executivo estrutural do bloco e da fundação P3, fornecido pela Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), possui falhas de concepção que provocaram o afundamento. A Cowan ainda afirmou que os órgãos competentes já foram informados sobre o parecer e, como a alça norte foi projetada igualmente à sul, que desabou, o isolamento total é recomendado.

Ainda conforme a empresa, foi protocolado junto à prefeitura uma recomendação de que a outra alça também deve ser demolida por explosão para reduzir o risco. Além disso, foi dito que não se sabe quanto tempo as escoras que estão na alça norte suportarão o peso.

Segundo o parecer dos técnicos, não está claro no projeto executivo a concepção adotada no dimensionamento do bloco, que deveria ter sido considerado flexível e dimensionado como viga, considerando os esforços à flexão, ao cisalhamento e à torção. "O bloco foi dimensionado com um décimo do aço que deveria ter para equilibrar o peso do pilar e do viaduto sobre as estacas. Como não tinha esse aço, o peso ficou todo em cima de duas estacas que ficavam bem nas laterais do pilar", disse Ribeiro durante a coletiva.

Para Ribeiro, o engenheiro responsável por aprovar o projeto é da Sudecap. "O problema é que ele não refaz os cálculos, apenas dá uma olha mais ou menos. Com isso, deixou passar este erro", afirmou.

A Consol, empresa responsável por fazer o projeto executivo, informou que ainda avaliará os resultados apresentados na coletiva e somente depois se posicionará sobre o assunto.

Erros

No projeto entregue pela Sudecap, o aço projetado para os esforços à flexão do bloco foi de 50,3 cm², enquanto o necessário seria 685 cm². O projeto ainda não considerava o aço para esforços ao cisalhamento e à torção, que deveriam ser, respectivamente, 184,1 cm² e 10,2 cm². Outro erro apontado pelos estudos feitos foi na carga de trabalho adotada na estaca (de 80 cm de diâmetro e 20 metros de profundidade). O projeto apontava uma carga de trabalho de 250 toneladas, enquanto o necessário deveria ser 467 toneladas, ou seja, as estacas deveriam ser mais profundas, ou ter um diâmetro maior. Um aumento no número de estacas também resolveria o problema, conforme o parecer técnico.

Com estes erros as estas estacas estavam suportando um peso maior do que aguentariam e, consequentemente, foram ruindo embaixo do solo sem que ninguém visse. "Quando tiraram as escoras, 18 dias depois o viaduto caiu. Não sei como não caiu antes e matou mais gente, pois já era para ter caído", finalizou Ribeiro.