Juiz nega novo pedido da Argentina para suspensão de pagamento

"As partes e seus advogados devem se encontrar continuamente com o mediador até que se chegue a uma solução", disse Thomas Griesa

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

O juiz americano Thomas Griesa negou novamente o pedido da Argentina de suspensão da execução da sentença, cujo prazo termina na próxima quarta-feira (30), deixando o país mais perto de um novo calote.

O juiz ordenou que os representantes da Argentina e dos credores negociem "24 horas" para chegar a um acordo até a próxima semana.

"As partes e seus advogados devem se encontrar continuamente com o mediador até que se chegue a uma solução", disse Griesa. "Chegamos a um momento crucial. Não há muito tempo até o fim de julho."

Para o juiz, um calote seria o "pior cenário", já que afetaria "pessoas reais". "Se passos sensatos não forem tomados, haverá um default no fim de julho. (...) Um default seria infeliz para as pessoas que estão esperando seus pagamentos e para a própria Argentina." No dia 30, termina o prazo para que o governo argentino pague uma parcela de sua dívida reestruturada.

Uma decisão recente da Justiça americana, no entanto, determina que esse pagamento só poderá ser feito de forma simultânea ao pagamento de US$ 1,3 bilhão aos fundos litigantes, os chamados "holdouts", que não renegociaram sua dívida.

Adiamento

A Argentina, contudo, tenta fugir da cláusula Rufo, presente no contrato de reestruturação da dívida, pela qual o país não pode oferecer uma melhor condição de pagamento aos credores que ficaram de fora do pacote.

O temor é que o pagamento do US$ 1,3 bilhão aos holdouts desencadeie novas cobranças dos fundos da dívida reestruturada.

Como a cláusula cai em dezembro, a tentativa da Argentina era adiar o pagamento dos holdouts até o fim do ano -por isso pediu novamente a suspensão da execução de sentença na última segunda.

"Queremos negociar um acordo com todo mundo, mas para fazer isso, é necessário fazer movimentos. A suspensão facilitaria o prosseguimentos das negociações", disse Jonathan Blackman, advogado da Argentina.

Negociação

Para Griesa, porém, a suspensão "não é algo que seja necessário pra se chegar a um acordo entre as partes".

"Acredito que ainda pode haver uma solução negociada aqui", disse. O mediador apontado pelo juiz, Daniel Pollack, presente à audiência, sugeriu uma reunião já para esta quarta-feira (23), mas não deixou claro se as partes ficariam frente a frente.

Na última reunião, representantes da Argentina e dos chamados "holdouts", os fundos litigantes, não conversaram diretamente.

Griesa continuou com um discurso duro contra Buenos Aires, dizendo que o governo tratou as decisões judiciais na última década como "se não fosse seu problema".

"Em 11 anos, a Argentina tomou todos os passos que podia para indicar que não cumpriria com as decisões. Mas decisões judiciais são decisões judiciais," disse