Comandante sem mostrar evolução

Pelo Inter, o técnico tentou mudanças táticas sem sucesso e acabou caindo durante o Brasileiro

iG Minas Gerais | Josias Pereira |

De novo. Ao que tudo indica, Dunga será anunciado nesta manhã como substituto de Felipão no comando técnico da seleção brasileira
MARCOS D'PAULA/AE – 25.3.2009
De novo. Ao que tudo indica, Dunga será anunciado nesta manhã como substituto de Felipão no comando técnico da seleção brasileira

Quando tanto se fala em renovação para um futebol que se mostrou completamente ineficiente diante do poderio de uma Alemanha, trabalhada no conjunto há 12 anos, a CBF almeja uma nova oportunidade para Dunga, o incompreendido treinador que desafiou a imprensa e impôs, a duras penas, sua filosofia batalhadora, de entrega, um verdadeiro mantra com tons de severidade e militarismo que só o capitão do tetra é capaz de sustentar.

Ao que tudo indica, Dunga será confirmado hoje, às 11h, como novo comandante da seleção, apesar de ele ter despistado ao jornal “Zero Hora”. “‘Zero Hora’ falou que o anúncio é amanhã, não sei de nada”, disse Dunga.

Mas o que ele aprendeu nesses últimos anos? No jogo derradeiro pela seleção, a fatídica derrota para a Holanda por 2 a 1, nas quartas de final da Copa de 2010, o comandante morreu abraçado com o 4-2-3-1.

Após um período sabático, ele voltou no ano passado. Era hora de encarar um novo desafio na curta carreira: o Inter, um dos clubes com o melhor elenco do país. Logo no início, percebeu-se a mudança tática. Dunga abriu mão do 4-2-3-1 e passou ao 4-3-1-2, com variações ao 4-2-2-2. Nesse sistema, os laterais ganharam mais liberdade para avançar. Se eles subiam, também voltavam para marcar em bloco. O resultado da empreitada foi o título gaúcho.

Só que vieram os problemas. O Brasileiro expôs falhas do esquema tático, principalmente no setor defensivo, que sofreu com lesões e a queda de rendimento de alguns jogadores. Os remendos deram algum retorno, mas a instabilidade voltou, e Dunga resolveu mudar o esquema para um 4-4-2 clássico.

A tentativa também não funcionou. O Inter cedia bastante espaço e os empates se transformaram em uma constante. Foi aí que Dunga retornou ao 4-2-3-1 e os problemas enfrentados na seleção brasileira retornaram.

Dunga tentou de tudo, até mesmo colocar Alex como volante e D’Alessandro mais próximo ao ataque. No entanto, o time, assim como a seleção de 2010, sofria com a falta de criatividade no meio-campo, além da pouca mobilidade do ataque. Foram quatro derrotas seguidas, e a “cabeça” de Dunga rolou. Pelo Colorado, aproveitamento de 60,38% (26 vitórias, 18 empates e nove derrotas).

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