O resgate da delicadeza

Livro “Casa Natural” traz as belezas, a magia e o poder da cultura e da sabedoria populares

iG Minas Gerais | Ana Elizabeth Diniz |

reprodução do livro “Casa Natural”
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Tudo é primoroso, leve, exala capricho, detalhes que fazem a diferença. O novo livro do arquiteto e escritor Carlos Solano é um tratado sobre simplicidade, sobre o fazer, o reciclar, o cuidado com o corpo, a casa, a cidade e o planeta. “Casa Natural” traz no volume 1, uma coletânea das melhores colunas publicadas na revista “Bons Fluidos” ao longo de oito anos, enriquecidas, atualizadas e complementadas. São as receitas de dona Francisca, a personagem principal da coluna, e quitutes. O volume 2 traz as “Terapias da Casa” e sua pesquisa pelo Brasil e outros países, em forma de crônicas leves e fáceis de aplicar.

Tudo no livro denota o olhar aguçado, apurado e inspirado do arquiteto, a começar pela forma de edição, que tem cara de caderno de avó. “Estabeleci um valor e lancei cotas. Quando falei pela primeira vez sobre o projeto para os alunos de um curso, vendi cinco cotas, que já pagaram a primeira edição de mil exemplares. O primeiro lançamento vai acontecer em Belo Horizonte, mas ainda neste ano ele será lançado em Campo Grande, São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba”, diz Solano.

O livro resgata a simplicidade de receitas antigas, faxinas com ervas e flores, imagens que harmonizam, aromas, peças dispostas com intenção, tudo para conferir qualidade ao ambiente. “Temos que aprender com essas pessoas que não perderam a inocência. Dona Francisca, a personagem central, foi minha faxineira durante muitos anos, quando morei em um sítio em Nova Lima. Ela me marcou profundamente. Nunca chegava de mãos vazias, um costume antigo, trazia consigo um recorte de jornal ‘li e me lembrei de você’; se fazia um bolo, me levava um pedaço, uma muda de planta. Enquanto arrumava a casa, muito conversada, sempre destilava sabedoria, e quando ela ia embora, eu não era o mesmo. Sua faxina e seu cuidado amorosos estão no livro”, conta o arquiteto.

De Francisca, Solano absorveu a forma de ordenar a casa, a força dos pensamentos e sentimentos, a importância de liberar coisas não apenas materiais, mas do emocional e mental. “Tudo isso veio dela, a forma simples de tratar a casa, sempre usando os elementos da natureza. Os ingredientes das suas faxinas e bênçãos da casa são ervas, flores, águas de nascentes, pedras de rio, luz do sol e da lua. Elementos importantes do ponto de vista cultural, conhecimento ancestral que está nas mãos dessas mulheres sábias da nossa cultura, geralmente idosas e que não estão deixando sucessoras. O livro é um resgate da inocência e da simplicidade, qualidades fundamentais para se lidar com os desafios de hoje”.

As palavras têm significado, força e intenção nesse livro-arte. “É preciso enxergar o poder da simplicidade, palavra que rima com felicidade e que contém a palavra fé, na vida, no sagrado, em você mesmo”.

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