Deputados mineiros guardam R$ 10 mi ‘debaixo do colchão’

Declaração de bens à Justiça Eleitoral mostra que valor em “cash” chega a 98,5% do patrimônio

iG Minas Gerais | Isabella Lacerda |

Quem acha que guardar dinheiro “vivo” é uma prática ultrapassada, da época em que não era costume ter conta em banco, está enganado. Em Minas, ao menos 46 deputados que tentarão uma vaga na Câmara Federal ou na Assembleia de Minas declararam à Justiça Eleitoral manter recursos em espécie em suas residências. No total, de acordo com a declaração de patrimônio de cada um deles, mais de R$ 10 milhões em espécie estão hoje fora das instituições financeiras, confirmando a velha expressão “guardar dinheiro debaixo do colchão”.

Essa prática não tem nada de irregular, mas não é recomendada por especialistas ouvidos por O TEMPO, que alertam para a falta de segurança e as perdas acumuladas de rendimentos financeiros. Segundo o Tribunal Regional de Minas Gerais (TRE-MG), como não existe padronização para a declaração de bens a ser entregue junto com o registro de candidatura, declarar que os valores estão guardados em casa não é obrigatório.

Na Assembleia, entre os 74 parlamentares que são candidatos neste ano, 31 – o equivalente a 41% – mantêm parte das suas fortunas em casa. O deputado estadual que declarou o maior valor em espécie foi Gustavo Corrêa (DEM), com R$ 689 mil em dinheiro. O curioso é que o montante equivale a 98,5% de todo o patrimônio declarado por ele à Justiça Eleitoral.

Ao ser questionado sobre o motivo de manter toda a quantidade fora do banco, Corrêa afirmou apenas que é uma opção sua e disse que não comentaria o assunto. “Tenho motivos pessoais”, afirmou, irritado.

Entre os 55 deputados federais, 15 se mostram mais apegados às cédulas. O principal é Leonardo Quintão (PMDB), que informou possuir R$ 2,6 milhões em espécie. Procurado, ele explicou, por meio da assessoria, que usou como base a lista dos bens que possuía em 2013, e que o montante já foi gasto.

A principal alegação dos políticos é a facilidade de ter o dinheiro rapidamente, para momentos de necessidade. Nas próprias declarações de bens, alguns parlamentares fazem questão de deixar claro que as quantias estão guardadas em local seguro, pelo menos é o que garante o candidato à reeleição na Assembleia Celinho do Sinttrocel (PCdoB). Também deputado estadual, Fabiano Tolentino (PPS) informou em sua declaração de bens à Justiça Eleitoral que guarda “em domicílio” R$ 52 mil em “cash”.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave