Mostra com alma de Fênix

6ª edição do Paulínia Film Festival tenta resgatar proposta do polo de cinema e introduz produções internacionais

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |

Qualidade impessoal. Imagem de “Sangue Azul”, de Lírio Ferreira.
fotos paulínia film festival / divulgação
Qualidade impessoal. Imagem de “Sangue Azul”, de Lírio Ferreira.
Depois de ter sua realização cancelada em 2012, o Paulínia Film Festival retornou em dezembro do ano passado com a duração de pouco mais de um fim de semana. “Foi um ato político de retomar o que havia sido desmantelado pela gestão anterior do polo”, explica o diretor do festival Ivan Melo, sobre a “miniedição” de 2013. De lá para cá, foram seis meses para reformular o evento, que inicia hoje sua sexta edição.  E para reafirmar sua narrativa da Fênix, a mostra – que vai até o próximo domingo – volta não só completa, mas ampliada com um antigo desejo: uma sessão internacional. “Quando começamos a pensar em um recorte de filmes estrangeiros, ficamos sabendo dos 25 anos da Imovision”, conta Melo sobre a empresa que sempre foi uma presença marcante no festival, inclusive levando o prêmio de melhor filme em 2011 com “A Febre do Rato”. A distribuidora independente do franco-brasileiro Jean Thomas Bernardini – uma das principais responsáveis pelo lançamento de produções europeias nos cinemas nacionais – acabou se tornando a grande homenageada da mostra. “Pegamos a carteira de futuros lançamentos deles e selecionamos sete que combinavam mais com a programação deste ano”, explica o diretor do festival. Além dos filmes, porém, o principal resultado foi uma expressiva lista de convidados internacionais que virão estrelar o tapete vermelho de Paulínia neste ano. O diretor Abel Ferrara e a atriz Jacqueline Bisset vêm apresentar “Bem Vindo a Nova York”. E franceses não vão faltar: o ator Mathéo Boisselier vem com “As Férias do Pequeno Nicolau”; o diretor Tony Gatlif e a atriz Delphine Mantoulet representam o longa “Geronimo”; e o cineasta Georges Gachot bota o festival para dançar com o documentário “O Samba”, ao lado de ninguém menos que Martinho da Vila.  Completam a lista gringa a co-produção “A Pedra da Paciência”, o jordaniano “O Casamento de May” e o mexicano “Paraíso”. Na tarde do domingo, a mostra oferece ainda a pré-estreia nacional do longa “A Imigrante”, da Europa Filmes, estrelado por Marion Cotillard e que concorreu no Festival de Cannes em 2013.  Abertura. A homenagem à Imovision acontece na abertura de hoje à noite, que vai contar ainda com a avant-première de “Não Pare na Pista”, cinebiografia do escritor Paulo Coelho que chega aos cinemas nacionais em 14 de agosto. “É um filme interessante porque tem uma pegada comercial e é bem feito”, justifica Melo. Para ele, essa perspectiva do cinema como indústria de qualidade vem dos filmes que o polo de Paulínia se propõe a realizar, e é o diferencial que dá um perfil ao festival.  “Não dá para fazer um tipo de filme e exibir outro”, pontifica. Segundo Melo, esse recorte de “qualidade sem a interferência de gostos pessoais” é o que guia a curadoria de Rubens Ewald Filho. Enquanto Tiradentes, por exemplo, escolhe focar em jovens realizadores, e Brasília é pautada pelos grandes veteranos do cinema nacional, Paulínia mistura em sua competitiva “Sinfonia da Necrópole”, novo trabalho da aclamada jovem paulistana Juliana Rojas (“Trabalhar Cansa”); “Sangue Azul”, quarto longa de Lírio Ferreira (“Baile Perfumado”), estrelado por Daniel de Oliveira; e o documentário “Aprendi a Jogar com Você”, do carioca Murilo Salles (“Nome Próprio”).  “Tem comédia, filmes autorais, novos cineastas, uma seleção bem variada como o nosso edital de produção, porque representam o tipo de filme que a gente está interessado em fazer”, justifica o diretor.  Completam a lista dos filmes competindo ao troféu Menina de Ouro “A História da Eternidade”, estreia do pernambucano Camilo Cavalcante em longa, baseado no seu curta de 2003; “Boa Sorte”, da carioca Camila Jabor, filha do Arnaldo Jabor e com roteiro de Jorge Furtado; “Casa Grande”, de Fellipe Barbosa; o documentário “Castanha”, do gaúcho Davi Pretto; “Infância”, novo trabalho do mestre Domingos Oliveira; e o documentário “Neblina”, realizado pelos paulistas Fernanda Machado e Daniel Pátaro com recursos do edital de Paulínia.  O mosaico é um retrato dos três principais polos de produção nacionais hoje: quatro cariocas, dois paulistas, dois pernambucanos e uma participação especial do Rio Grande do Sul. Mas Melo argumenta que o festival se recusa a pensar em categorizações regionais. “Quando alguém fala em cinema norte-americano, ninguém pensa se foi feito na Carolina do Sul ou do Norte. Do mesmo jeito, tem pernambucano que filma em São Paulo, e paulista que filma no Rio”, defende, reafirmando a proposta de Paulínia de expandir fronteiras em 2014.

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