Cão "herói" da PM é doado para hospital por causa de doença incurável

Lá ele tem acesso a especialistas e tratamentos para poder reverter a doença; animal serviu à PM até os nove anos e iria ser leiloado, caso não precisasse de cuidados veterinários constantes

iG Minas Gerais | JULIANA BAETA |

Atualmente, ele não consegue andar por causa de uma doença incurável e foi doado ao hospital veterinário da Fead para cuidados constantes
DIVULGAÇÃO/ FEAD
Atualmente, ele não consegue andar por causa de uma doença incurável e foi doado ao hospital veterinário da Fead para cuidados constantes

Muita gente não sabe, mas os cachorros da Polícia Militar, apesar de correrem riscos de vida diariamente e, em muitas ocasiões, serem usados na frente dos policiais para proteger a vida dos militares, são tratados como bens do Estado e, portanto, são leiloados após 10 anos de serviço. No entanto, um deles, o simpático pastor alemão King, conseguiu uma autorização e foi doado a um hospital veterinário após ser descoberto com uma doença rara. 

Segundo a Polícia Militar (PM), há algum tempo, era costume os animais serem tratados até o fim da vida nos próprios canis da corporação, ou serem doados para os policiais que se apegaram a eles e o quisessem levar para a casa. Mas, recentemente, uma norma interna proíbe a prática e determina que, após 10 anos de serviço à PM, o cachorro é aposentado e deve ser leilolado. A justificativa é que por serem tratados como bens, eles não podem causar prejuízos financeiros ao Estado.

Um deles, porém, conseguiu a sorte de receber carinho e tratamento, após o azar de ter sido detectado com uma doença rara, que o deixou paraplégico: a discoespondilite. Aos 9 anos, King deixou de servir à corporação e foi internado no Hospital Veterinário da Fead, localizado no bairro Pilar, na região do Barreiro.

A doença é uma forma de infecção por bactéria ou fungo que ocorre nos discos intervertebrais da coluna, atingindo também os ossos da região, e chega ao disco intervertebral pela corrente sanguínea; Sua origem pode ser desde uma ferida na pele, aspirada via pulmões, ou vinda de outra infecção qualquer no corpo do animal.

Segundo especialistas da área, a doença, que causa a perda da capacidade de movimentar os membros inferiores, até o momento é considerada incurável, mas uma nova técnica está sendo aplicada no Hospital Escola da instituição, que consiste no transplante de medula óssea, como forma de mantê-lo vivo e fazer com que King volte a andar ou pelo menos consiga se locomover com mais facilidade. 

O cachorro herói, como é tratado pelos amigos militares e pelos funcionários da instituição, é levado semanalmente para fazer sessões de fisioterapia na clínica parceira do hospital, a Vetsociety, no bairro funcionários, região Centro-Sul de Belo Horizonte. Antes, o trabalho de levá-lo à clínica era feito pelos policiais em suas viaturas, mas com a doação formal do pastor alemão à Fead, os cuidados e o tratamento do animal podem ser acompanhados de perto pelos especialistas.

Na clínica, King tem vida de rei, e é lavado e escovado frequentemente, faz sessões de acupuntura, laserterapia, termoterapia, cinesioterapia, alongamento em bola suíça e hidroterapia, que consiste na realização de esteira na água.

Segundo o soldado Diego Murta, do Batalhões de Missões Especiais de Contagem, que foi o responsável pelo animal durante seu período na PM, King foi treinado para farejar e capturar suspeitos. “O treinamento ao qual King foi submetido era focado na capacidade de diferenciar odores e com isso, perceber a existência de alterações no ambiente deixada pelo infrator em fuga. Ainda, durante o treinamento, o cão foi ensinado a morder apenas os membros superiores e inferiores do suspeito, com isso imobilizar o infrator sem risco de vida”, explicou militar.

O soldado lamenta a falta do cachorro no batalhão. “Mas fico feliz em ver que a Fead abraçou a causa em tentar curá-lo, com um grupo de veterinários admiráveis e extremamente preparados e que estão fazendo o possível para recuperar um grande cão policial”, disse.

Legislação

Atualmente, são contemplados na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) 33 projetos de lei referentes a proteção animal, entre eles, a criação de um Código Estadual de Proteção aos Animais, de autoria do deputado Dalmo Ribeiro (PSDB). Mas nenhum deles, trata especificamente da mudança desta norma para que os animais da PM não sejam tratados como “objetos”.

De acordo com o advogado do deputado, Bernardo Fonseca, o projeto contempla várias cláusulas em benefício dos animais, e sugestões como a destinação dos cães da PM podem ser anexadas. “É um ponto interessante, lutar para que estes cachorros sejam vistos como servidores, já que servem à  corporação, e não como materiais”, disse.

O projeto 1197/2011 já passou por duas comissões, após várias modificações, e a pedido da Comissão de Política Agropecuária e Agroindústria, irá passar também por lá, onde deve estar sujeito a novas modificações para atender aos interesses daquela comissão e, só depois, passará pela última comissão, a de Fiscalização Orçamentária, para então, ir a plenário. 

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