Comerciantes denunciam golpista que vende anúncios em jornais falsos

Em um período de um ano, suspeito aplicou golpe em comércios da região Leste e Oeste da capital usando nomes de dois jornais fictícios diferentes

iG Minas Gerais | JOSÉ VÍTOR CAMILO |

Suspeito sempre atende às ligações ou responde e-mails, mas nunca cumpre com as promessas feitas
Reprodução
Suspeito sempre atende às ligações ou responde e-mails, mas nunca cumpre com as promessas feitas

Depois da apresentação, na última sexta-feira (18), de uma dupla que foi presa por se passar por delegados para vender anúncios em um jornal sem circulação, o jornal O TEMPO recebeu uma denúncia de comerciantes que teriam sido vítimas de um suspeito que atua de maneira semelhante em várias regiões de Belo Horizonte. Acredita-se que o estelionatário já tenha feito centenas de vítimas.

No dia 3 de junho deste ano, uma clínica de radiologia odontológica, localizada na região Oeste de Belo Horizonte, foi procurada por um homem que se identificava como Fernando Antônio Pereira Chaves. "Ele disse que era dono de um jornal chamado 'Espaço e Negócios', que circulava na região, e levou até um exemplar impresso com uma data recente. Apresentou CNPJ e até um certificado de bons antecedentes em seu nome", explicou uma funcionária da clínica, que preferiu não ter o nome divulgado temendo represálias.

Com isso, a empresa decidiu fechar negócio comprando anúncios no veículo por R$ 150 e cinco banners (o suspeito também oferecia serviços gráficos) por outros R$ 150. "Ele deu um recibo e fez um contrato. Só que nada foi feito, o jornal não foi publicado e os banners nunca foram entregues. Sempre que ligamos ele atende, responde e-mails, sempre dando desculpas esfarrapadas. Ele vai levando, cozinhando as pessoas até desistirem", afirma a denunciante.

Pesquisando pelo Facebook, a vítima conseguiu encontrar outra pessoa que também caiu no golpe de Chaves. A funcionária de uma clínica veterinária do bairro Saudade, na região Leste da capital, foi contata pelo mesmo homem em agosto de 2013. "Ele veio na empresa dizendo que tinha uma empresa chamada Saúde e Vida, sendo que era como se fosse um guia comercial que oferecia descontos para os clientes. Ele afirmou ter uma grande lista de clientes, trouxe toda a documentação, atestado de bons antecedentes, tudo que outras empresas que já trabalhei nunca apresentaram", disse a funcionária.

Após pagar R$ 60 para se associar à empresa do golpista, a clínica acabou pagando também por panfletos. "Ele disse que os panfletos trariam de um lado o nosso anúncio e do outro o da Saúde e Vida. Me interessei pois a distribuição, que é o mais caro, ficaria por conta dele. Cheguei a indicar ele para uma amiga, que tinha um cursinho e, depois disso, ele chegou a colocar um site no ar, o que aumentou ainda mais a nossa confiança", denuncia.

Por fim, Chaves teria oferecido para a veterinária publicidade em outdoor e a clínica acabou fechando o negócio. "Pedíamos para ver a arte e ele ficava enrolando, dizia que o motoqueiro estava a caminho, mas ele nunca chegava. Quando minha amiga ia entrar também no negócio do outdoor, avisei ela que poderia ser um golpe e ela acabou desistindo", disse a funcionária da clínica.

Queixa na polícia

Após algum tempo tentando receber os R$ 480 investidos de volta, a clínica resolveu prestar queixa contra o golpista. "Até hoje ele manda e-mail falando que vai me pagar o que deve, mas que quando pagar é pra eu retirar a queixa. O problema é que muita gente pagou R$ 200 e deixa para lá, por vergonha de ter caído ou por falta de tempo. Mas se não denunciarmos muitas pessoas ainda serão vítimas", defende a mulher.

Como em menos de um ano o suspeito já fez vítimas em duas regiões de Belo Horizonte e usando dois veículos fictícios diferentes, as denunciantes acreditam que o homem pode ter aplicado o golpe em centenas de comerciantes. "Muita gente paga, acha que o anúncio está circulando e nem fica sabendo que foi vítima de um crime", finaliza.

O TEMPO tentou contato telefônico em quatro números diferentes repassados por Chaves aos seus clientes. Porém, nenhuma das ligações foram atendidas e um dos telefones fixos não existe mais.