Campos culpa 'práticas equivocadas' pela falta de dinheiro na saúde

Proposta é uma reivindicação de entidades da classe e faz parte de um pacote de promessas que sua campanha preparou para o setor

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

O candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Campos, disse nesta segunda-feira (21) que é necessário "inverter prioridades" na gestão pública do país para investir 10% da receita bruta da União - quase R$ 40 bilhões - na saúde.

A proposta é uma reivindicação de entidades da classe e faz parte de um pacote de promessas que sua campanha preparou para o setor. O ex-governador de Pernambuco usou políticas do governo da presidente Dilma Rousseff como exemplos de "práticas equivocadas" que, segundo ele, fazem com que falte dinheiro para saúde e educação.

Campos afirmou que a desoneração da folha de pagamento de diversos setores, o subsídio ao juros e a distribuidoras de energia, além do custeio da Petrobras são "práticas que levaram o Brasil ao momento em que o país menos cresce na história". As medidas do governo do PT, dizem os defensores, garantiram a redução do preço da conta de luz por um período e estimularam investimentos.

Apesar das críticas à administração petista, o candidato do PSB não detalhou como irá financiar todas as promessas que fez na última semana. Além do pacote para a saúde, que conta com o projeto de criar uma carreira federal para médicos, construir cem hospitais, 50 maternidades e uma policlínica por região de saúde do país, prometeu o passe livre para estudantes, como mostrou a Folha, que tem o custo estimado em R$ 12 bilhões.

"Quando se consegue um conjunto de desonerações no valor de R$ 100 bilhões, setor a setor, ninguém pergunta da onde vai se tirar esse dinheiro. Quando o Brasil coloca mais de R$ 50 bilhões de subsídio a juros de grupos econômicos, ninguém pergunta da onde vem o dinheiro.

Quando o Brasil toma a decisão de colocar mais de R$ 50 bilhões no setor elétrico por erros crassos do governo, ninguém pergunta da onde vem o dinheiro. Ninguém pergunta como a Petrobras consegue colocar R$ 50 bilhões para segurar o seu custeio. É uma conta muito simples. Nas nossas escolhas, vamos encontrar os R$ 38,7 bilhões para a saúde e os R$ 12 bilhões para o passe livre", afirmou.

Questionado sobre se iria romper com as práticas de subsídio do governo Dilma, o ex-governador afirmou que "em alguns casos, elas se justificam; em outras, não". "Se você tiver uma política macroeconômica segura, se você passar confiança da sua narrativa para os agentes econômicos, você vai ter efeitos macroeconômicos que fazem surgir espaço fiscal", explicou.

Durante inauguração de seu comitê central, em São Paulo, o pessebista disse que "tem dinheiro para fazer", mas "falta decisão política, capacidade de dialogar e de mostrar onde estão os recursos".

MARINA E O BANCO DE RESERVAS

O evento contou com a claque de Campos e também de Marina Silva, candidata a vice na chapa à Presidência. Em discurso de dez minutos, a ex-senadora afirmou que as eleições serão ganhas por uma "mudança de postura" e que irá "chamar pessoas que estão no banco de reservas em todos os partidos" para governar o Brasil.

"[Nosso governo] vai ser com base na convocação de homens e mulheres de todos os partidos, pessoas de bem que existem em todos os partidos e que estão no banco de reservas, mas serão chamados para entrar em campo para poder governar o Brasil com base em uma agenda".

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