Os aprendizados de Dunga pós-Copa do Mundo de 2010

De retorno marcado à seleção, o ex-capitão do tetra teve apenas uma passagem em clubes desde o Mundial da África do Sul; saiba o que ele aprendeu taticamente

iG Minas Gerais | JOSIAS PEREIRA |

Dunga conversa com time titular do Inter que irá enfrentar o Vasco
ALEXANDRE LOPS / INTERNACIONAL
Dunga conversa com time titular do Inter que irá enfrentar o Vasco

Quando tanto se fala em renovação para um futebol que se mostrou completamente ineficiente frente ao poderio de uma Alemanha, trabalhada no conjunto há doze, dez anos, a CBF almeja uma nova oportunidade a Dunga, o incompreendido treinador que desafiou a imprensa, e impôs, a duras penas, sua filosofia batalhadora, de entrega, um verdadeiro mantra com tons de severidade e militarismo que só o capitão do tetra é capaz de sustentar.

Mas o que Dunga aprendeu nestes últimos anos como treinador? Em seu último jogo pela seleção brasileira, a fatídica derrota para a Holanda por 2 a 1, pelas quartas de final da Copa de 2010, o comandante morreu abraçado com o 4-2-3-1, o esquema da moda, com Daniel Alves adiantado (assim com fez na final da Copa América de 2007) Kaká centralizado, Robinho na ponta e Luís Fabiano isolado no comando do ataque. Sem grandes opções no banco de reservas, a seleção brasileira se mostrou completamente vulnerável na segunda etapa e ainda contou com erros de Felipe Melo e Julio Cesar para dar adeus ao Mundial.

À época, uma das grandes preocupações de Dunga foi a lateral-esquerda, ocupada por Michel Bastos. O iminente duelo com Robben fez o treinador tomar certas precauções. Mas foi por aquele mesmo setor que surgiram os gols holandeses. O 4-2-3-1 de Dunga foi bom enquanto tinha opções. Quando peças lhe faltaram para armar a equipe e dividir a responsabilidade com Kaká, o Brasil não suportou a pressão.

Começo avassalador

Após um período sabático, o comandante voltou aos gramados no ano passado. Era hora de encarar um novo desafio na curta carreira, o compromisso de ser o treinador do Internacional, um dos clubes com o melhor elenco do país. Logo no início do trabalho, percebe-se a mudança de filosofia tática. Dunga abre mão do 4-2-3-1 e passa a adotar o 4-3-1-2, com variações para o 4-2-2-2.

Neste sistema, os laterais ganharam mais liberdade para avançar, enquanto D'Alsssandro alternava a armação de jogadas com Fred, que variava entre a função de volante e meia. Na frente, Forlán e Damião encabeçavam o ataque, sendo que o uruguaio atuava um pouco mais recuado, chamando o jogo pela esquerda e apresentando-se como uma alternativa na armação de jogadas.

Se os laterais subiam, eles também voltavam para marcar em bloco. O Inter passeou na Taça Piratini, manteve o fôlego na Taça Farroupilha com alguns ajustes, entre eles com uma marcação mais rigorosa no meio-campo e D'Alessandro se movimentando pela ponta direita. O resultado desta empreitada bem sucedida foi o título gaúcho.

A realidade e o retorno ao início de tudo 

Só que vieram os problemas. O Brasileiro expôs falhas do esquema tático, principalmente no setor defensivo, que sofreu com lesões e a queda de rendimento de alguns jogadores. Modificações foram feitas, entre elas a entrada de Jorge Henrique na vaga de Fred pelo setor esquerdo. Os remendos deram algum retorno, mas a instabilidade voltou e Dunga resolveu mudar o esquema para um 4-4-2 clássico com Scocco e Damião à frente, e Alex e D'Alessandro dividindo a armação de jogadas.

A tentativa também não funcionou. O Inter cedia bastante espaços e os empates se transformaram em uma constante. Foi aí que Dunga retornou ao 4-2-3-1 e os problemas enfrentados na seleção brasileira retornaram. Se pelo lado direito, o Inter contava com a força de Gabriel, Willians e D'Alessandro, o lado esquerdo estava morto. O lateral Fabrício mais defendia do que apoiava, e Otavinho não conseguia se comunicar com Scocco. Damião permanecia isolado.

Dunga tentou de tudo, até mesmo colocar Alex como volante, D'Alessandro mais próximo ao ataque. No entanto, o time, assim como a seleção brasileira de 2010, sofria com a falta de criatividade no meio-campo, além da pouca mobilidade do ataque. Foram quatro derrotas seguidas e a 'cabeça' de Dunga rolou. Pelo Colorado, o treinador obteve aproveitamento de 60,38% (26 vitórias, 18 empates e 9 derrotas).