Ucrânia ordena cessar-fogo na região onde avião foi acidentado

A medida não envolve Donetsk, que se encontra a 60 km do local da tragédia e onde ao menos três pessoas morreram nesta segunda (21)

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, ordenou nesta segunda-feira (21) um cessar-fogo em um raio de 40 quilômetros ao redor do local onde o Boeing-777, da Malaysia Airlines, caiu com 298 pessoas a bordo na quinta (17). "Eu dei a ordem. Os militares ucranianos não devem fazer operações nem abrir fogo em um raio de 40 quilômetros a partir do local da tragédia", disse o líder ucraniano aos jornalistas, após visitar a embaixada da Malásia em Kiev.

A medida não envolve Donetsk, que se encontra a 60 km do local da tragédia e onde ao menos três pessoas morreram nesta segunda. Poroshenko voltou a reiterar que os milicianos separatistas de Donetsk, que fazem a guarda do local da tragédia, roubam os pertences das vítimas do acidente, destroem provas e "impedem a comissão de investigação ucraniana de trabalhar".

O premiê da Ucrânia, Arseny Yatseniuk, criticou o presidente da Rússia pelo apoio aos separatistas rebeldes do leste ucraniano. "Eu não espero nada do governo russo. Eles forneceram armas, eles enviaram militantes. Putin deve entender que já basta. Este não é um conflito entre a Ucrânia e a Rússia", disse ele em coletiva de imprensa. "No momento, não temos nenhuma dúvida de que o avião foi abatido. Isso porque um míssil foi lançado muito provavelmente a partir de um sistema Buk. É claro que este sistema não pode ser operado por bêbados terroristas pró-russos. Havia pessoas profissionais", disse ele, reforçando a acusação de que Moscou está envolvida na queda do avião.

O leste da Ucrânia vive há mais de três meses um conflito armado entre separatistas pró-russos e as autoridades de Kiev, que acusam Moscou de apoiar os insurgentes.

Rússia

O presidente russo, Vladimir Putin, vai se reunir com seu Conselho de Segurança na terça-feira (22) para discutir questões de defesa após combates no leste Ucrânia e a queda do avião. O Conselho de Segurança, que agrupa os chefes de defesa e segurança, vai discutir questões ligadas a "salvaguardar a soberania e a integridade territorial da Federação Russa", disse o Kremlin em um comunicado.

Putin disse nesta segunda que a queda do avião não deve ser usada para fins políticos e pediu que os separatistas permitam que especialistas internacionais tenham acesso ao local do acidente.

O presidente disse novamente que o incidente não teria acontecido se as forças do governo ucraniano não houvessem terminado uma trégua e retomado a campanha militar contra a rebelião pró-russa no leste da Ucrânia.

Os líderes americanos e europeus, que impuseram sanções sobre Moscou por causa da crise na Ucrânia, dizem que armas e combatentes que vão para Ucrânia através da fronteira com a Rússia estão alimentando a violência.

Sanções

O Reino Unido advertiu Putin nesta segunda sobre mais sanções, a menos que Moscou concedesse acesso total ao local da queda do avião e parasse de alimentar a instabilidade na Ucrânia.

Os ministros das Relações Exteriores da União Europeia irão se reunir na terça-feira para discutir a questão.

Avião

A Ucrânia está disposta a entregar para a Holanda os corpos dos mortos no acidente do avião da Malaysia Airlines para que as autópsias sejam feitas neste país, disse nesta segunda Arseny Yatseniuk.

O chefe do governo ucraniano disse que o acidente do avião é uma "terrível tragédia internacional", um "crime internacional contra a humanidade que deve ser investigado por uma comissão internacional".

Dos 298 mortos, 198 eram holandeses. O avião, segundo relatório dos EUA, foi derrubado por um míssil lançado a partir do território dominado pelos rebeldes.

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