Chega de mentira

iG Minas Gerais |

O tempo avança e, lamentavelmente, seguimos para confirmar que o Brasil não sairá do lugar nas próximas eleições. Montou-se no país uma rede aplicada em disseminar a insegurança como uma nova expectativa nacional, como que se, em algum momento, tivéssemos tido cenários muito melhores. Há trinta anos lutamos contra a instabilidade econômica, amenizada pelo projeto de implantação do Plano Real, que, felizmente, nos salvou durante duas décadas. Daí passamos a conviver com decisões pontuais, embutidas em Medidas Provisórias e portarias, que – ao menor descuido – passam a ter valor de lei. Quando não é essa a realidade, vemos o amontoado de legislação que mais engessa do que regula, usinada em Câmaras Municipais, Assembleias Legislativas e um Congresso Nacional formados por legiões de parlamentares despreparados, desqualificados, profissional e moralmente. As exceções são ínfimas e pontuais. O comum é vermos, operando, gente da mais baixa posição na hierarquia social. Não se necessita de qualquer esforço para perceber-se a fraude que é nossa representação no parlamento brasileiro. Reclamamos dos governos mas não sabemos viver sem eles. Criticamos o tamanho do Estado brasileiro, de sua larga interferência na vida da nação, em especial, no cotidiano dos seus cidadãos. Mas lutamos todos os dias para colocar na responsabilidade do mesmo Estado soluções paridas pelo histórico jeitinho brasileiro. Combatemos o empreguismo, o paternalismo, o nepotismo, dos outros, sobretudo quando não somos nós os favorecidos, os assessores, os ocupantes dos cargos de confiança. Brigamos contra os juros altos do sistema bancário quando somos tomadores de empréstimo, mas também reclamamos da baixa remuneração dos investimentos, quando somos aplicadores. Protestamos contra a falta de qualidade da vida nas cidades mas não criamos opções dignas para a vida no interior do país. Em Minas mesmo, por exemplo, vemos cruzar o Estado todos os dias uma imensa frota de ambulâncias trazendo pacientes para serem tratados na capital, por absoluta falta de recursos de saúde no interior. Denunciamos os desacertos do Mais Médicos e quebramos os postos de saúde quando temos menos médicos. Protestamos contra a ineficiência dos transportes de massa e incendiamos os ônibus quando as empresas pedem aumento no preço das tarifas. Os empresários gritam contra a carga tributária, com total razão. Pagamos impostos de tudo, numa criminosa participação dos tributos no conjunto da economia. Mas estamos também entre os países onde mais se sonega impostos, mais se frauda e se corrompem agentes públicos no mundo. Debatemos a impunidade, mas criticamos as polícias que prendem, a Justiça que se exerce, o Estado que atua como agente da aplicação e do respeito à lei como parâmetro de construção do contrato social. Precisamos de educação, de bons exemplos, de homens públicos com credenciais sólidas e não as fabricadas pelo marketing político, pela propaganda enganosa na promoção de planos, programas, bolsas e choques, meros artifícios de conservação dos mesmos no poder. Chega de fraude, de mentira, de alianças com meros interesses eleitorais, de má-fé, de conversa fiada de gente que não explica seu patrimônio, sua postura, sua vida e suas verdades.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave