Setor imobiliário freia crescimento

Desaquecimento econômico reduz volume de pessoas que podem pagar por imóveis

iG Minas Gerais |

Mais difícil. Preço de imóveis tem subido menos, mas taxa de juros anual subiu de 7,84% para 9,52%
DANIEL IGLESIAS/O TEMPO
Mais difícil. Preço de imóveis tem subido menos, mas taxa de juros anual subiu de 7,84% para 9,52%

São Paulo. Os negócios na construção civil estão mais lentos do que o esperado por empresários, que passaram a rever suas estimativas de crescimento para 2014. Os problemas no setor provêm principalmente do desempenho fraco da economia brasileira e do calendário marcado por datas que desviam a atenção de consumidores, como o Carnaval tardio (realizado em março), a Copa do Mundo e as eleições.  

O desempenho na cidade de São Paulo, maior mercado imobiliário do país, funciona como um termômetro em todo o Brasil. Lá, as vendas de imóveis residenciais novos acumuladas entre janeiro e maio foram de 7.982 unidades, 41,4% inferiores ao mesmo período do ano passado. No período, os lançamentos chegaram a 8.947 unidades, recuo de 14%. Esses resultados estão abaixo da expectativa inicial do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), que esperava que as vendas e lançamentos em 2014 ficassem estáveis ante 2013.

“Os números estão muito abaixo do que esperávamos. A chance de ter que rever um pouco pra baixo nossas projeções no ano é real”, afirmou o presidente do Secovi-SP, Cláudio Bernardes.

Ela afirma que as empresas já contavam com o efeito negativo da economia mais fraca e do calendário neste ano, mas admite que esses fatores foram piores do que as expectativas. “O que pesou foi o dimensionamento do impacto dos fatores já previstos”, explicou, citando o excesso de feriados e o clima de incerteza por conta das eleições.

O esfriamento do mercado respingou no preço dos imóveis, que cresce cada vez menos. De acordo com a pesquisa FipeZap, o preço das moradias na cidade de São Paulo acumula alta de 4,41% no primeiro semestre. O montante é quase um terço do verificado nos últimos 12 meses, quando bateu os 12,3%, o que demonstra forte desaceleração. “Uma boa parte da culpa pelo desaquecimento do mercado imobiliário está mesmo na atividade mais fraca da economia brasileira de um modo generalizado”, afirmou o coordenador da pesquisa FipeZap, Eduardo Zylberstajn. “Mas os preços dos imóveis subiram muito, então hoje tem de fato menos gente em condições de pagar por eles”, ponderou.

Zylberstajn afirma também que as condições para compra da habitação pioraram do ano passado para cá, com juros mais caros. Conforme dados do Banco Central, a taxa média anual de juros do financiamento imobiliário passou de 7,84% em maio de 2013 para 9,52% em maio de 2014. “O crédito ainda é um facilitador, mas já não consegue mais aumentar o poder de compra como ocorreu no passado”, ressaltou.

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