Conveniência política faz inimigos se unirem pelo voto

Alianças apontam que a busca pelo poder fala mais alto que as ideologias partidárias

iG Minas Gerais | Lucas Pavanelli |

Arranjo. Aparição de Lula e Maluf juntos, em 2012, deu o que falar: disputa agora é coisa do passado
ADRIANA SPACA - 18.6.2012
Arranjo. Aparição de Lula e Maluf juntos, em 2012, deu o que falar: disputa agora é coisa do passado

No começo da década de 90, Renan Calheiros (PMDB-AL), hoje presidente do Senado, se tornou um dos principais articuladores do processo que culminou no impeachment de Fernando Collor. Primeiro presidente eleito pelo voto direto do povo após o regime militar, o alagoano “caçador de marajás” foi deposto do cargo com a mancha da corrupção no currículo. Ficou inelegível por oito anos.

Vinte e quatro anos depois, nem Collor, muito menos Renan, querem ouvir falar em impeachment. Deixaram o passado de guerra de lado e, como manda a cartilha da conveniência política, decidiram “unir forças para resgatar Alagoas do caos”, conforme definiu Collor há poucos dias.  Renan e o conterrâneo decidiram se aliar de olho no voto do eleitor em outubro. Collor, hoje no PTB, quer se reeleger senador na chapa encabeçada por Renan Filho (PMDB), que concorre ao governo de Alagoas e é herdeiro político e filho do presidente do Senado. A briga entre as famílias alagoanas vinha desde a década de 90. Mas, em 2012, nas eleições para a Prefeitura de Maceió, os dois grupos viram que era mais interessante politicamente estarem no mesmo palanque. Agora, a família Calheiros é toda elogios a Collor. A conveniência política mostra que a história dos Calheiros e Collor está longe de ser uma exceção. Ao contrário, desafiando a lógica do eleitor, que normalmente associa os políticos à ideologia dos partidos a que estão atrelados, arranjos como esse confirmam que as diferenças ideológicas são muito pouco resistentes e quase sempre não sobrevivem à eleição seguinte. Maluf x Lula. O Paulo Maluf que há anos dizia aos quatro ventos que um voto em Lula seria um “suicídio administrativo” é o mesmo que posou sorridente para as fotos ao lado do líder petista, em 2012, quando ambos apostavam em Fernando Haddad para a Prefeitura de São Paulo. Mais recentemente, o ex-odiado dos petistas provou que está mais lulista do que nunca ao se referir ao ex-presidente como “grande estadista”. Em um passado não muito remoto seria improvável cogitar uma aliança política que colocasse lado a lado o petista Fernando Pimentel e o tucano Aécio Neves. Mas o jogo do poder provou, mais uma vez, que “nunca” é uma palavra praticamente dispensável no vocabulário político. Graças à costura feita por Pimentel e Aécio, Belo Horizonte teve, em 2008, um palanque inusitado com petistas e tucanos unidos em nome do projeto que elegeu o empresário Marcio Lacerda (PSB) prefeito da capital. A costura não vingou em 2012, na campanha à reeleição. Sem consenso dos petistas sobre a reedição da dobradinha, Aécio e Pimentel partiram, cada um, para seus respectivos redutos. Agora, na corrida ao governo de Estado, os ex-aliados atuam como inimigos de infância. De um lado, Pimentel, atual postulante ao cargo de governador e ex-ministro da presidente Dilma, critica o antigo aliado, a quem se refere como “imperador” de Minas. Do outro, Aécio, que, preocupado em manter a hegemonia tucana em Minas, arregaçou as mangas e tem feito de tudo para garantir o lugar do colega Pimenta da Veiga no espaço do qual o PSDB não arreda o pé desde 2003: o gabinete de governador do Estado. 

Lula e Collor Aliados. Lula e Collor disputaram eleição em 1989, num pleito marcado pela forte oposição das ideias. Eleito senador em 2006, Collor passou a compor a base de apoio de Lula.

Costuras Tempo de TV. O apoio de Maluf a Fernando Haddad, em 2012, costurado por Lula, rendeu aos petistas 1 minuto e 35 segundos a mais no tempo de propaganda eleitoral na TV. Vai e volta. Neste ano, Maluf posou para foto e declarou apoio a Alexandre Padilha (PT) ao governo de São Paulo. Dias depois, mudou de ideia e, agora, apoia o PMDB. Pernambuco. O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), antigo desafeto do ex-governador Miguel Arraes, aderiu a Eduardo Campos, neto de Arraes, e apoiou o PSB na eleição municipal em 2012. 

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