Sotaque universal ao piano

O compositor Gilberto Mauro se apresenta no Conservatório UFMG, divulgando projeto de biblioteca de partituras

iG Minas Gerais | Lygia Calil |

Compositor. Além do universo tradicional da música erudita, Gilberto Mauro escreve trilhas usadas em espetáculos de teatro e filmes
ALEXANDRE SOARES / divulgaçao
Compositor. Além do universo tradicional da música erudita, Gilberto Mauro escreve trilhas usadas em espetáculos de teatro e filmes

A música erudita não é necessariamente acadêmica, morta ou fechada. Partindo dessa premissa, o compositor e pianista Gilberto Mauro construiu sua carreira na música instrumental mineira, integrando influências de correntes de diversas naturezas à sisudez das composições para câmara e orquestra. No palco do Conservatório UFMG, ele conduz nesta terça um concerto ao piano.

O programa resgata músicas dos 25 anos de carreira do compositor, desde “Rapsódia de Areia”, escrita na década de 1990, até canções que estarão no seu próximo CD, com lançamento previsto para setembro. Das inéditas, ele adianta alguns nomes, como “Anagrama das Plantas” e “Terra Alta”.

Permeando vários gêneros, a música de Mauro visita tanto a cultura popular brasileira quanto o jazz norte-americano, uma mistura que traz sotaque universal às canções. “Gosto desse caldeirão da música moderna, sempre muito aberto a improvisações. Digo que é uma música de intérprete, porque muda de acordo com quem executa”, explica o compositor.

Sobrinho-neto do cineasta mineiro Humberto Mauro, o compositor foi criado em uma ambiente musical. Começou tocando guitarra, aos 16 anos, e migrou para o piano porque, segundo ele, trata-se de um instrumento “mais generoso para a composição”.

Artista de várias facetas, Mauro compõe para todas as formações, sejam elétricas ou acústicas, instrumentais, para piano, violão ou formações orquestrais. Moderno, porém, não se restringiu ao ambiente tradicional da música clássica e abrange, também, trilhas para o teatro, cinema e multimídias.

Ferrenho defensor do piano, que para ele já viveu dias melhores no Brasil, o compositor comemora o que ele chama de pequena melhora no cenário belo-horizontino, com mais palcos que disponibilizam o instrumento. “Não dá para carregar um piano e levá-lo para qualquer lugar. Os palcos precisam ter o instrumento, mas falta predisposição dos gestores em facilitar isso”, diz, completando que locais como Sesc Palladium, Espaço 104 e Café com Letras contam com bons exemplares.

Mauro, que se apresenta fora do Brasil desde 2009, percebe, em apresentações pelo interior do Brasil, a boa receptividade deste público à música erudita. “No interior, sou sempre muito bem recebido. Talvez porque por lá não se tenham tantas atrações, quase todas as apresentações têm um público grande. Ao contrário do que as pessoas pensam, não é preciso ter formação acadêmica ou cultural para gostar. Basta ter boa vontade em ouvir, disposição”, avalia.

Partituras. A apresentação de Gilberto Mauro faz parte dos Concertos Sesc Partituras, que divulga o projeto de uma biblioteca digital que disponibiliza partituras de compositores brasileiros, digitalizadas e editoradas, no site www.sesc.com.br/sescpartituras. Esta é a segunda vez que o evento visita Belo Horizonte e estão previstas mais duas apresentações eruditas até o fim do ano.

Segundo o analista de arte e cultura do Sesc, Micael Pancracio, a biblioteca é um projeto aberto a novos compositores, que devem acessar o site e se cadastrar. “É um trabalho importante para estudantes de música e também para profissionais, além de aficionados”, avalia.

Partituras

No projeto do Sesc, estão disponíveis composições de importantes nomes, como Ernesto Nazareth, César Guerra Peixe e Carlos Gomes

Agenda

O quê. Concerto de Gilberto Mauro

Quando. Dia 22, às 19h30

Onde. Conservatório UFMG (av. Afonso Pena, 1.534, Centro)

Quanto. Entrada franca

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