Apoio a comitês de bacias hidrográficas é chave para saneamento

Eleitos devem melhorar a capacidade de financiamento, alocar recursos no longo prazo e reduzir burocracia

iG Minas Gerais | Lucas Ragazzi |

CRISTIANO TRAD
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O acesso a redes de esgoto e água é essencial para a sobrevivência de qualquer comunidade. Com isso, a manutenção e desenvolvimento de seus recursos é um dos pontos mais importantes a se considerar durante a gerência de um governo. Para o engenheiro químico e presidente executivo do Instituto Trata Brasil, Édison Carlos, é necessário que o principal investimento seja feito nas empresas estatais da área. “As empresas estaduais que cuidam dos serviços de água e esgoto precisam cada vez mais de capacidade de financiamento. É inviável manter manter projetos e obras dependendo apenas de repasses dos  governos”, relata. De acordo com o especialista, cabe aos governadores a implantação de gestões profissionais e efetivas. Para isso, Édison também afirma que o apoio aos comitês de bacia hidrográfica, que, segundo ele, estão parados, é essencial. “Fica mais fácil resolver os problemas quando os municípios se juntam e realizam ações definidas pela bacia hidrográfica local. Para que isso ocorra mais vezes, é necessário que se estimule estes comitês”, diz. Ele também afirma que os atrasos na criação das licenças ambientais ocorrem em demasia, fato que retarda a chegada de investimentos nas áreas necessitadas. Uma gestão eficiente faria com que estes processos fossem acelerados e otimizados.  Já no âmbito federal, Édison considera fundamental que o próximo presidente mantenha recursos financeiros a longo prazo. De acordo com ele, será preciso quase R$ 300 bilhões de investimentos para que se trate esgoto e água até o ano de 2033. “O foco principal precisa ser a garantia de recursos para esse período”, afirma. Outro aspecto que, segundo o engenheiro, precisa ser revisto, é a burocracia excessiva para se acessar os recursos. “Hoje fica evidente que o saneamento não tem um problema de falta de recursos, e sim de conseguir utilizá-los. Grande parte do problema é a burocracia para que o recurso saia de Brasília e chegue até as obras”, diz.  Para ele, o apoio a pequenos e médios municípios precisa ser regularizado, já que estes não possuem condições para formular projetos de saneamento, além de licitar, buscar recursos e executar as obras.   * Com supervisão de Ricardo Corrêa