Burocracia e candidatos

iG Minas Gerais |

A redação de O TEMPO me pediu para comentar as matérias publicadas nesta edição, nas páginas 10 e 11, que revelam uma inquestionável realidade: não existe um partido, um candidato, alguém neste país disputando eleição que possa apresentar um atestado de enfrentamento da burocracia e da carga tributária. Todos os candidatos, quem mais, quem menos, conviveram, sentados em cargos de poder, com a escalada dessa babel burocrática e tributária tupiniquim, sem ações decididas para combatê-la. Chegou, evidentemente, a hora de mostrar o que pretendem para o futuro, continuar ou mudar. Certo é que o Brasil, depois de ter perdido uma Copa, não pode perder mais uma oportunidade, desperdiçar votos e dar mandato a quem não tem propostas claras e de combate às causas do atraso. Precisa cobrar agora clareza de intenções e demonstração de capacidade pessoal. O leitor desse jornal, eleitor em outubro, espera poder avaliar informações claras. E guardar o compromisso de cada um como instrumento de cobrança. Como, onde, quando e, ainda, o quanto será realizado. Isso precisa ser dito. Onde se darão os cortes, as economias, os remanejamentos, os investimentos? Aumentará a despesa pública e, consequentemente, haverá mais e mais impostos? Ou diminuirá essa ciranda, possibilitando aplicação da contribuição tributaria tão exagerada? O candidato tem que explicar como pilotará a economia, o destino de um país ou de um Estado, que precisam parar de ficar patinando no mesmo lugar. Creio que a imprensa deva fazer um questionamento o mais amplo possível e cobrar respostas, até impiedosamente claras, para evitar que se repitam estelionatos eleitorais. Também para melhorar o debate e deixar que cada candidato mostre seu cabedal, seu conteúdo atrás do rótulo que costuma desbotar depois da eleição. Burocracia e carga tributária certamente estão no cerne do problema, do pífio crescimento e da incapacidade do Estado de ser um “bom pai”, e não um explorador. Como me confessou um conhecido empresário, “onde o governo chega é para atrapalhar, cobrar descabidamente, atrasar’’. Hoje os entraves feudais representados pelo proliferar de normas e regulamentos, que têm a finalidade de cobrar taxas e pedágios, apenas atrasam a chegada do progresso. É possível que um surto de 20% de crescimento econômico brasileiro esteja aprisionado na burocracia estatal. E isso faz até com que a arrecadação atrase. Tem trâmites inconcebíveis que provocam atrasos na geração de emprego e de receitas para o próprio Estado. Falta QI, e sobra despotismo medieval. Não ter pressa é ficar para trás. E essa falta de percepção parece que pesa sobre os candidatos. Menos burocracia e carga tributária bastariam para o Brasil avançar portentosamente. Isso os candidatos ainda não disseram. Disso espera-se que o Brasil deixe de ser o campeão mundial da pior relação entre carga tributária e IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). E quando isso vai parar?

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