Perfis das torcidas são diferentes

iG Minas Gerais | THIAGO PRATA |

Em várias partidas da Copa era possível ver torcedores argentinos e ingleses felizes, lado a lado, como se a Guerra das Malvinas nunca tivesse ocorrido. Ou norte-americanos e russos fazendo festa, contrariando as trocas de farpas que se sucedem, vez ou outra, entre as autoridades dos dois países. Um clima amistoso, que não costuma ocorrer em jogos do Campeonato Brasileiro.  

Nos torneios de clubes do país, acontece exatamente o inverso entre torcedores adversários. A rivalidade é tão grande que chega a patamares extremos, com atos de vandalismo, episódios de violência e até mortes. Será que é possível algum dia vermos os oponentes sentados lado a lado, como na Copa do Mundo? O sociólogo da PUC Minas Moisés Augusto acredita que dificilmente isso irá acontecer.

“Clássicos no país, como Atlético x Cruzeiro, têm essa coisa da rivalidade regional. Aquilo que deveria ser uma disputa sadia passa a funcionar para o torcedor extravasar emoções de todas as formas. No estádio, as emoções são canalizadas, e isso faz com que não seja mais uma competição”, ressaltou Moisés.

No entanto, o sociólogo não vê tais problemas como exclusivos no Brasil. “Em campeonatos europeus, também há torcidas violentas, como na Inglaterra. E, durante a Copa, o Brasil barrou uma série de torcedores argentinos violentos”, disse.

Outro ponto a ser considerado é que a Copa acontece de quatro em quatro anos e com período de um mês de disputa, num clima festivo. Já os torneios nacionais ocorrem todos os anos. O Brasileirão compreende cerca de oito meses, e as partidas são acirradas. Ninguém quer ser rebaixado, e todos buscam o título.

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