Legado da Copa seria utopia?

Para dirigente do Internacional, é impossível lotar todos os jogos no Brasileirão

iG Minas Gerais | THIAGO PRATA |

Outra visão. Em uma Copa do Mundo, o torcedor é visto como prioridade pelos organizadores
JOAO GODINHO / O TEMPO
Outra visão. Em uma Copa do Mundo, o torcedor é visto como prioridade pelos organizadores

Uma edição de Copa do Mundo é capaz de criar um universo perfeito, com estádios sempre lotados, onde rixas e rusgas históricas são deixadas de lado em prol da festa e do fascínio pelo futebol. Pelo menos, por um mês. Do dia 12 de junho a 13 de julho, as pessoas preencheram cada pedacinho das 12 arenas que sediaram o torneio deste ano, no Brasil, com alegria e respeito mútuo. Mas, com o fim desses momentos mágicos, uma velha realidade voltou à tona: a dos vários jogos com campos vazios.  

Nos dias de hoje, é uma utopia supor que os estádios estejam cheios em todos os confrontos do Brasileirão. Ou, no mínimo, que os dez duelos de uma rodada tenham lotação máxima. Muitos fatores influenciam para que aquilo que ocorreu na Copa do Mundo não se repita no principal torneio do país.

O diretor executivo de marketing do Internacional, Jorge Avancini, enumera os pontos que impedem que os estádios fiquem sempre repletos de espectadores. Um deles é a diferença que existe entre os torcedores de um Mundial de seleções e os de um Brasileirão.

“O público na Copa não é o mesmo público do nosso futebol. Presenciei, nos jogos da Copa aqui no Beira-Rio, e imagino que o mesmo deve ter acontecido nas outras arenas, que os torcedores eram turistas, que vieram conhecer o Brasil, e os jogos eram parte da rota. O cara vem gastar, numa viagem de férias”, destacou.

Nem mesmo os programas de sócio-torcedor garantem bom público em todas as partidas de um clube. Até o Inter, time com o maior número de sócios-torcedores – são quase 120 mil –, não consegue encher todos os jogos em toda a temporada.

“Depende muito da performance do seu time no campeonato, que é longo. Se um time perde muitos jogos, a torcida não vai a vários outros. E o programa de sócio-torcedor não garante estádios lotados se o time não corresponder. O sócio vai garantir ao clube, todo mês, uma receita, mas não o estádio lotado sempre”, afirmou Jorge Avancini.

“Nos campeonatos europeus, os torcedores compram tíquetes por temporada, antes de o time iniciar os jogos, ou seja, compra-se sem ter garantia que seu time vai ganhar. Aqui no Brasil, não há esse hábito. O Inter tentou implantar esse sistema de compra de ingressos para o ano e não funcionou”, completou Avancini.

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