Em Minas, ideias mirabolantes para transporte e educação

Propostas dos principais candidatos esbarram na viabilidade de execução, apontam especialistas

iG Minas Gerais | Isabella Lacerda / Lucas Pavanelli |

Se a ideia dos candidatos ao governo de Minas neste ano era inovar nas propostas de governo, o objetivo foi alcançado. Nos programas entregues por eles à Justiça Eleitoral, Fernando Pimentel (PT), Pimenta da Veiga (PSDB) e Tarcísio Delgado (PSB) propõem iniciativas – principalmente para o transporte e a educação – questionáveis, pelo menos do ponto de vista da viabilidade.  

Com a maior malha rodoviária do país – mais de 36 mil km entre estradas estaduais (27 mil km) e federais – Minas tem, entre os seus gargalos, o transporte. Pimenta e Pimentel sugerem iniciativas semelhantes, consideradas ousadas por especialistas. Do lado petista, a ideia é fazer a integração das cidades-polo, em rodovias duplicadas. Já o tucano pretende criar anéis rodoviários nas grandes cidades.

Para o professor de engenharia de transportes e trânsito da Fumec Márcio Aguiar, os candidatos apresentaram propostas revolucionárias. “Interligar as cidades e reduzir o número de veículos passando dentro dos municípios são boas ideias, mas que dependem de alto investimento e muito tempo, ainda mais quando a ideia é criar anéis rodoviários”, justifica.

Segundo Aguiar, o primeiro passo para melhorar a malha rodoviária do Estado seria estadualizar as rodovias federais. “Há ideias mais simples e viáveis. Os problemas em Minas são das estradas administradas pelo governo federal. Assumir, por exemplo, a BR–381 seria o certo”, defende.

Ensino. Na área da educação, as ideias também são inovadoras, considerando as dificuldades enfrentadas hoje pelas escolas. Pimentel, por exemplo, pretende levar internet a cabo, com “padrão avançado”, para todas as 3.674 unidades educacionais do Estado. No entendimento do professor da Faculdade de Educação da UFMG Marcus Taborda, a medida é utópica considerando a precariedade da atual estrutura de ensino. “Não existe biblioteca nem computador, vai ter internet de qualidade?”, questiona.

Resposta semelhante é dada pelo professor quando o assunto é a possibilidade de levar para fora do país alunos de escolas localizadas em regiões carentes do Estado, proposta feita por Pimenta da Veiga. “O primeiro passo é universalizar o ensino. Há problemas históricos na educação que precisam ser resolvidos, mas que são deixados de lado. Não precisa de grandes mágicas como essa”, critica Taborda.

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