Para agregar valor à história

Locações fora do Brasil seguem mais a linha de embelezar a trama do que a de ajudar a contar o enredo novelístico

iG Minas Gerais |

Afonso Carlos/Czn

Quase todo início de novela é igual. Belas imagens de locações, internacionais ou nacionais, compõem um cenário exótico, glamouroso ou impactante nos primeiros capítulos. Muitas vezes, elas são mais para dar um lustre do que para ajudar a contar a história. E esses lugares são escolhidos a dedo pela equipe de produção. Antes disso, os autores costumam sugerir as cidades onde querem ambientar parte de seus folhetins, mas é preciso haver um casamento equilibrado entre as necessidades da trama e a viabilidade da viagem. Por isso, quem bate o martelo mesmo é a emissora.

Os capítulos iniciais de “Vitória”, por exemplo, seriam gravados em Dubai, nos Emirados Árabes. Mas a Rede Record não chegou a um acordo com os representantes da cidade e levou a novela de Cristianne Fridman para Curaçao, no Caribe. “O melhor foi ter a chance de explorar um lugar ainda não visto pela TV brasileira. A pior parte foi a falta de know-how da produtora local. Inúmeras sequências foram atrapalhadas por turistas porque eles não sabiam os horários de chegada dos navios. Mas foram solícitos e estavam muito interessados em aprender”, pondera o diretor da trama Edgard Miranda.

O objetivo da ideia inicial da autora de levar algumas cenas para Dubai era mostrar o poder e a riqueza de Artur (Bruno Ferrari). Com a mudança de roteiro, a ilha de Curaçao serviu para representar outra característica do personagem: a necessidade de viver isolado. “Curaçao é uma ilha paradisíaca, o mar, as cores, tudo chamando para a vida, mas é uma ilha que isola, que pode manter alguém fechado em si mesmo como Artur”, conceitua Fridman.

Minas Gerais. A trama “Império” também precisou lidar com imprevistos. Inicialmente com planos de gravar parte das primeiras cenas no lado venezuelano do Monte Roraima, o diretor Rogério Gomes precisou repensar a locação quando a equipe técnica e artística teve os vistos de entrada no país negados. A solução foi ambientar as cenas de garimpo em Carrancas, Minas Gerais. “Os locais que escolhemos não são de difícil acesso, embora tenham cenas em cachoeiras e grutas. Ficamos dez dias só vendo locação, decupando onde faríamos cada cena”, explica o diretor. Algumas sequências também foram captadas em Genebra, na Suíça. Além de trazer requinte à trama, a locação foi uma sugestão do autor. “Foi uma indicação de Aguinaldo Silva, já que as transações de diamantes antigamente eram feitas na Suíça”, esclarece Rogério Gomes.

Já as gravações de “O Rebu” aconteceram exatamente onde a equipe de direção e os autores desejavam. Apesar de a história se passar no Rio de Janeiro, boa parte dos takes foram feitos no palácio Sans Souci, em Buenos Aires, na Argentina. A escolha da locação se justifica pela opulência e elegância encontradas na construção do início do Século XX, características que o diretor queria imprimir na novela. “A gente estava em busca de uma imagem que fosse um signo. Buenos Aires é meio Paris, tem uma arquitetura quente, uma estética mais antiga”, ressalta José Luiz Villamarim.

Bem diferente do conforto de um palácio, o elenco e a equipe de “José do Egito” encararam o clima hostil do Deserto do Atacama, no Chile, para muitas das cenas da série da Record.

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