Pisando baixo

Você não aguenta mais o salto alto? A maioria das mulheres também não. Entenda por que os flats são fenômeno fashion e de vendas

iG Minas Gerais | Deborah Couto |

Loafer com ferragem garante um visual elegantérrimo e confortável ao mesmo tempo
jakandjill.com/divulgação
Loafer com ferragem garante um visual elegantérrimo e confortável ao mesmo tempo

As sapatilhas e sandálias rasteiras sempre foram as favoritas das mulheres que não abrem mão do conforto. Mas fashionista que se preza nunca abandona o salto alto. Não abandonava – até outro dia... Desde que Chanel e Dior colocaram tênis para arrematar seus looks de alta-costura a coisa vem mudando de figura. E o movimento pelo conforto vem vindo como uma avalanche. “É uma tendência que tem invadido nossas lojas há cerca de dois anos”, diz a estilista da marca de calçados Covenant, Vanessa Barroso. “Se o sapato tem um salto mais alto, as clientes pedem para fazermos o mesmo modelo mais baixinho”, afirma Vanessa.

No Oscar deste ano a atriz inglesa Emma Thompsom subiu ao palco com seus Louboutins na mão e uma taça de martíni na outra. “Eu tirei meus saltos como uma afirmação feminista, na verdade. Porque: quem precisa deles? Eles são tão dolorosos. E sem sentido. De verdade!”, disse ela ao microfone. Seriam os sapatos baixos uma forma de libertação feminina da obrigação de ser sexy? Vanessa não concorda. “Nossos sapatos baixos precisam ter conforto, mas também damos toda a atenção aos detalhes. Quero fazer sapatos supersensuais e que não percam a feminilidade nunca”, diz. “Isso faz parte de um desejo universal. As periguetes nunca deixaram nem deixarão de usar salto. Temos que pensar que existem vários tipos de mulheres”, acredita o estilista de calçados Jotta Sybalena.

Universalmente famosas pela sensualidade, nós, brasileiras, curiosamente estamos abrindo mão de um aliado. E daí? “As brasileiras estão readaptando sua vaidade em função da vida acelerada que levam. A busca pela beleza existe, mas conforto é hoje um aspecto fundamental. Este é um momento de transição e reposicionamento feminino que inspira a moda, e os flats são parte dessa mudança”, diz o stylist Pedro Moura.

Os veículos de moda (e os outros também) vêm falando do movimento normcore, que vem para substituir o já cansado hipster. Alguns de seus símbolos? Tênis brancos e as pesadas Birkenstocks (aquelas sandálias alemãs de sola de cortiça). As mais radicais (como as fashion victims irmãs Olsen) as usam com meias. Céline e Givenchy já lançaram suas versões, o simples de luxo. É o conforto como status de moda. É esteticamente pouco agradável. Mas, de fato, significa uma libertação feminina do aprisionamento do scarpin, da sedução sobre a realidade.

It-girl pé no chão

Se tem uma representante no universo fashion que está sempre pisando baixo é a inglesa Alexa Chung. A apresentadora e modelo costuma frequentar o tapete vermelho a bordo de sapatilhas, loafers e botinhas sem o menor problema. “Ela é conhecida por tornar fashion sapatos flat em meio a um mar de mulheres usando Jimmy Choos da altura de arranha-céus. Alexa geralmente ‘segura’ oxfords de amarrar tranquilamente”, diz Zoe Wood no veículo inglês “The Observer”. “Mas uma mudança de atitude foi notada nas primeiras filas de desfiles no ano passado, quando algumas das peças mais influentes da indústria começaram a aparecer nas fashion weeks usando flats”, completa Zoe. “Sem dúvidas, de dois anos para cá, a venda de sapatos baixos supera em muito a de saltos”, reforça o coro Jotta Sybalena.

Acontece que quem dita tendência mesmo é a própria indústria. É ela a responsável por movimentar as vendas e criar uma necessidade pela novidade. “Estamos vindo de várias estações de um reinado de saltos altíssimos. A moda está saturada deles”, afirma Jotta. “As tendências são ditadas pelas grifes. São elas que buscam transformar essa nova demanda em desejo. Blogueiras e it-girls são apenas o reflexo do que existe nas ruas, de mulheres cada vez mais independentes e práticas”, confirma Pedro Moura.

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