Sem perder o tom cômico

Drica Moraes viverá uma vilã na nova trama de Aguinaldo Silva, mas não deixa de explorar sua vertente engraçada

iG Minas Gerais | Luana Borges TV Press |

Oportunidade. Drica Moraes acredita que as vilãs podem ser engraçadas, palhaças, bruxas e até mesmo heroínas
Jorge Rodrigues Jorge/CZN
Oportunidade. Drica Moraes acredita que as vilãs podem ser engraçadas, palhaças, bruxas e até mesmo heroínas

Drica Moraes é o sinônimo da discrição. Econômica nas palavras, a atriz costuma mostrar seu lado expansivo nas personagens que interpreta. Muitas vezes escalada para tipos cômicos, ela, agora, encarna uma grande vilã, Cora, na novela “Império”, da Rede Globo. Foi justamente a possibilidade de se distanciar um pouco do que está acostumada a fazer que mais a agradou na nova proposta. Isso, entretanto, não significa que não vá flertar com a graça ao longo dos capítulos. “Não acho que seja uma escalação óbvia. Sou muito grata pelo convite do Aguinaldo Silva (autor) e do Rogério Gomes (diretor) para poder viver essa maluca. Acho que o melhor lugar para empenhar o meu humor é nessa mulher”, avalia a artista. Na história, Cora é uma mulher amargurada, fofoqueira e que não casou. No passado, ela atrapalhou a fuga que a irmã planejava fazer com o cunhado e amante José Alfredo. E, sempre que pode, manipula as pessoas para conseguir o que quer. “É uma megera do Aguinaldo”, destaca.

As vilãs de Aguinaldo Silva costumam ser perversas, mas possuem um toque de humor, como a Tereza Cristina de “Fina Estampa” e a Nazaré de “Senhora do Destino”. Você percebe a mesma coisa na personagem Cora? Acho que o humor está em tudo. Faço tudo com esse olhar! Inclusive, esse dramalhão que estou fazendo agora tem muito de humor e muito dessa inteligência e dessa esperteza que o humor carrega. Cora terá humor, mas não será uma megera cômica. Talvez, sim, porque tem muito de circo na dramaturgia de Aguinaldo. A personagem se mete em ciladas, fala alto, xinga... Então, tem um pouco de palhaço também, tem um pouco de tudo. Acho que essas vilãs de Aguinaldo são tão perversas e inesperadas que é gostar ou não gostar. Ou cai no gosto do público ou não cai. Eu espero que caia! Não é a primeira vez que você interpreta uma vilã, mas o público se acostumou a vê-la em personagens engraçados. Como foi a preparação para viver Cora? Lá atrás, cheguei a fazer uma grande vilã na Manchete, com Walter Avancini, em “Xica da Silva”, escrita por Walcyr Carrasco. A Violante é o embrião de malucas que tenho no meu repertório. Para a Cora, fui em cima dessa confusão de sentimentos dela. Acho que tragédia tem isso. A tragédia clássica é a máscara do riso e do choro. As coisas estão sempre muito juntas dentro da gente e essa mulher tem uma relação de alguma doença afetiva com a irmã. Ela realmente queria ser e ter tudo que a irmã tinha. Eu até revi “O que Terá Acontecido a Baby Jane”, um filme lindo com Bette Davis e Joan Crawford. Mas é um pouco dessas coisas todas misturadas. Na primeira fase da novela, Cora é interpretada por Marjorie Estiano. Vocês chegaram a fazer algum trabalho juntas para encontrar o tom? Fizemos uma preparação com Eduardo Milewicz. A gente fez um trabalho de gestual, de estar em contato e de mimetizar com a outra. Foi bem interessante! Muitos atores declaram a preferência por encarnar vilões. Compartilha da mesma opinião? Gosto de um bom personagem. Acredito que tenho um bom papel agora. As personagens escritas para serem as vilãs são muito ricas. Elas podem muito, têm um elástico grande de ações e emoções, então é um prazer. Você pode até bancar a heroína sendo a vilã, ou até mesmo a palhaça.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave