Mistério além do tempo

Com elementos novos e antigos, “O Rebu” inova sem perder referências de sua primeira versão na TV

iG Minas Gerais | Anna Bittencourt |

Escolhidos a dedo. Elenco está afinadíssimo
Rede Globo/Divulgação
Escolhidos a dedo. Elenco está afinadíssimo

O grande segredo de um bom remake é manter o espírito original da trama, sem esquecer que os tempos são outros. Só assim é possível agradar aos nostálgicos de plantão e encontrar seu lugar na audiência que não tem qualquer referência da obra. “O Rebu” consegue reunir os dois e vai além. Explora outras linguagens e faz jus à mítica ousadia do texto original de Bráulio Pedroso. Com a assinatura de George Moura e Sérgio Goldenberg, a nova novela das onze da Globo dialoga com outros trabalhos da dupla, como nas séries “O Canto da Sereia” e “Amores Roubados”. A rapidez com que a trama se desenvolve já é uma marca registrada e vai evitar as “barrigas”, os tempos de enrolação que cansam qualquer telespectador.

A narrativa não-linear, como na versão original, exige unidade à história, que se passa em praticamente um dia – durante a festa oferecida por Angela Mahler, interpretada por uma segura Patrícia Pillar, Bruno, de Daniel de Oliveira, é assassinado. A partir daí, a seguinte investigação e os flashbacks contam a trajetória de cada personagem até o fatídico dia. Sem soarem forçados ou exagerados, os cortes rápidos, dignos de uma produção cinematográfica, têm uma perfeita sintonia com a trilha sonora, que vai ditando as sensações e cada nuance de clima da festa.

O elenco parece ter sido escolhido a dedo. É verdade que uma produção mais curta atrai os atores, mas o time reunido em “O Rebu” é de primeiro nível. Destaque para Patrícia Pillar, Cássia Kis Magro, Tony Ramos e Sophie Charlotte, que mostrou que amadureceu e está a um passo de alcançar o mesmo nível que seus companheiros de cena. Vera Holtz e Camila Morgado seguraram bem as pontas de um possível núcleo cômico como aquelas pessoas que animam qualquer festa. Pelo horário permitir, as cenas ousadas, os beijos longos e muitas e possíveis insinuações homoafetivas complementam perfeitamente com a ideia de uma festa da high society.

A fotografia assinada pelo aclamado Walter Carvalho é quase um personagem na trama. Os tons azulados e escurecidos transportam o telespectador para a festa. O jogo de câmeras, principalmente das aéreas, cobrindo as áreas em torno da piscina e da mansão, bem como os planos fechados, foi de grande sutileza e bom gosto. O figurino requintado dá dicas sobre o perfil de cada personagem e também se assemelha aos outros trabalhos de George Moura, Sérgio Goldenberg e do diretor José Luiz Villamarim. Apesar da expectativa em torno de “O Rebu”, a audiência de estreia foi inferior à de suas antecessoras no horário das onze e fechou com média de 22 pontos. Prova de que a qualidade da produção nem sempre está ligada aos números.

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