Solo pode ter provocado queda

Para especialistas, fundações de pilar podem ser a chave para apontar o que derrubou o viaduto

iG Minas Gerais | Johnatan Castro |

Função. Dois dos três pilares que sustentavam o viaduto se mantiveram na mesma posição (como o acima)
GUSTAVO BAXTER / O TEMPO
Função. Dois dos três pilares que sustentavam o viaduto se mantiveram na mesma posição (como o acima)

Dezesseis dias após a queda de uma das alças do viaduto Batalha dos Guararapes – no último dia 3, sobre a avenida Pedro I, matando duas pessoas –, ainda não há data para conclusão da perícia realizada pela Polícia Civil no local. Para especialistas ouvidos pela reportagem, no entanto, o afundamento de 6 m de um dos pilares de sustentação do elevado indica que a causa pode estar em um problema no solo que não foi detectado durante os trabalhos de sondagem.

Essa é a opinião do vice-chefe do Departamento de Engenharia Civil da Universidade Estadual Paulista (Unesp), José Bento Ferreira. Ele explica que modelo de fundação utilizado no viaduto, chamado de “tubulão”, é comum em estruturas dentro e fora do Brasil e costuma ser seguro e resistente. Nele, as estacas são construídas dentro de buracos tubulares escavados no solo e moldadas em concreto armado com aço.

“Quando se trabalha com estacas tubulares, tem que ter uma sondagem muito bem fundamentada”, disse o professor, explicando que a sondagem deve indicar a camada mais resistente do solo, onde a fundação será apoiada. “A fundação pode aguentar 100 toneladas, mas só isso não basta. Porque o solo tem que aguentar também”.

A professora da Faculdade de Engenharia da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e mestre em engenharia de estruturas pela Universidade de São Paulo (USP) Cristiana Furlan Caporrino afirma que estruturas de concreto não se rompem de maneira brusca, mas somente após vários sinais. “Se for realmente uma ruptura do solo, isso sim pode justificar a queda brusca. O que pode ter ocorrido é uma falha na execução ou na interpretação dos estudos de sondagem”.

Cristiana ainda levanta outras possibilidades, como a utilização de materiais ruins ou até pressa na execução da obra. “Se for uma falha do concreto, o pilar pode ter afundado porque não aguentou o peso da estrutura. Também existe o tempo ideal de cura (secagem), que vai fazer o concreto do pilar atingir um grau de resistência. Se o concreto do pilar não atingir a resistência, ele pode se romper”.

O solo, como destacam outros especialistas, pode esconder, além de camadas mais e menos resistentes, feitas de diferentes tipos de argilas e rochas, pontos ocos – chamados de galerias. “Em condições normais, os afundamentos seriam notados no entorno da estrutura. Pode ter havido algum tipo de galeria, alguma caverna que pode não ter sido detectada nas sondagens do solo”, avaliou o coordenador do curso de engenharia civil do Centro Universitário da FEI, em São Paulo, Kurt Amann.

Investigações

Procurado na tarde de anteontem, o delegado Hugo e Silva, que apura as causas da queda do viaduto, informou que ainda não há um prazo para a conclusão da perícia. Quarenta e três pessoas já prestaram depoimento.  

Demolição

Moradores do condomínio ao lado do viaduto que caiu reclamaram que o rompedor hidráulico – trator com uma broca para perfurar o concreto –, substituído no início dos trabalhos por causa do barulho e da trepidação que causava, voltou a ser usado pela construtora na remoção do elevado. 

Resposta. A assessoria de imprensa da Defesa Civil informou que três tecnologias estão sendo utilizadas, e que, a cada estágio, é escolhida a mais adequada.  

Liberação

Avenida. Na tarde desta sexta-feira, a assessoria da prefeitura da capital afirmou que ainda não há previsão de liberação da avenida Pedro I. Havia expectativa de retorno do tráfego ainda nesta semana.

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