Entrevista

Tarcísio Delgado - candidato ao governo de Minas (PSB)

iG Minas Gerais |

“O choque de gestão foi meio elétrico, né, parece que quase desmaiou o paciente”
ASCOM PSB/DIVULGAçãO
“O choque de gestão foi meio elétrico, né, parece que quase desmaiou o paciente”

“Só posso dizer que vou trabalhar sério para ter resultados. Sempre que se trabalha seriamente, obtém-se bons resultados. E eu não gosto de prometer. É por isso que sou diferente, porque não ficarei fazendo promessas de campanha.”  Qual será a prioridade do seu governo, caso eleito? Fazer uma administração descentralizada, valorizando os recursos dos municípios e as associações micro-regionais. É descentralizar e ter participação popular. Fiz isso em Juiz de Fora e, embora a experiência tenha sido muito menor do que no Estado, funciona e traz uma nova forma de fazer. Vamos fortalecer e dar condições às associações microrregionais. Algumas já existem, vamos criar outras. A Associação Mineira de Municípios deve ter uma conotação diferente, de força e que possa ajudar o Estado. A história universal está cheia de exemplos de palácios fechados que servem muito mais ao abuso, ao crime, do que ao atendimento público. O palácio pertence ao povo.

O senhor, se eleito, pretende fazer alterações no número de secretarias?

Vou olhar na hora. Tem pastas que são importantes, é preciso que funcionem diferente de hoje. Por exemplo, a pasta da Saúde, onde sabemos que há abusos de todo tipo.

O senhor planeja reduzir despesas do Estado? Como o senhor espera receber as contas de Minas?

Eles fizeram uma coisa que não foi o que disseram que iam fazer. Segundo eles mesmos, o Estado está completamente falido. Eles mesmos falam que não têm o que fazer. Não sou eu quem digo, é o Estado que tem dito. Nós temos que fazer diferente. Fazer mais – com austeridade, competência e participação popular –, com menos recursos. Foi o que fizemos na nossa experiência administrativa. É complexo, mas nós temos como enfrentar isso, no sentido de gastar o recurso público com muita austeridade. Não é isso que temos visto hoje. O choque de gestão foi meio elétrico, né, parece que quase desmaiou o paciente.

Caso o senhor assuma o governo, irá fazer alterações na sede administrativa de Minas?

É precipitado dizer isso. Nós vamos entrar e, com trabalho sério e austero, vamos tomar as medidas que sejam melhores. Eu não sei te dizer hoje se isso seria vantagem, precisaria botar a mão na massa para ver. E eu não gosto de prometer. Nunca gostei de fazer promessa em campanha. Eu sempre prometo trabalhar seriamente, com rigor, para usar os recursos públicos e obter melhores resultados. Na experiência que tivemos, nós conseguimos fazer isso.

Se o senhor for eleito, irá propor um salário mínimo regional para Minas? Qual o valor ideal?

Não tenho ideia hoje. Vou pensar depois com carinho, colocar a equipe técnica para avaliar isso. Fazer levantamentos para ver onde o dinheiro é bem gasto e onde é mal gasto. E sempre é bem melhor aumentar a remuneração dos trabalhadores. Os servidores ganham muito pouco.

Seria uma das propostas aumentar a remuneração do funcionalismo?

Não é proposta. Isso tem que ser pensado com carinho. Nós, aqui no município (Juiz de Fora), onde a rede municipal é muito maior que a rede estadual, demos aumento diferenciado ao magistério, construímos a Casa do Professor, começamos a criar o programa integral nas escolas, o que é possível avançar no Estado. É isso que vamos fazer. Não vou ficar prometendo nada agora, com antecedência. Eu não venho como um candidato de mãos vazias. Venho com mãos cheias. Na época de tirar o Brasil da ditadura e colocar na democracia, eu estava na linha de frente do PMDB.

Em 2015, o gestor que assumir o governo mineiro vai precisar resolver a situação de mais de 90 mil servidores públicos, principalmente da educação, afetados pela inconstitucionalidade da Lei 100. Quais ações serão adotadas pelo senhor caso eleito?

Só posso dizer que vou trabalhar sério para ter resultados. Sempre que se trabalha seriamente, obtém-se resultados. É por isso que sou diferente porque não ficarei fazendo promessas.

A Constituição estabelece que os Estados apliquem pelo menos 25% da receita tributária em educação. Em Minas, o governo cumpre esse mínimo, contudo, inclui no cálculo o pagamento de aposentados, por exemplo. Em um eventual governo do senhor, o mínimo constitucional continuará sendo calculado considerando os aposentados?

Isso tem que ser decidido em hora própria, porque tem que ser feito levantamento, pesquisa. Quando eu estiver lá, vou fazer isso e bem feito.

Na saúde, o governo do Estado inclui no orçamento para a área gastos com saneamento e pessoal. O senhor pretende alterar essa lógica?

Caso eu chegue lá, vou mudar tanta coisa que não é só isso que se está perguntando. Vou fazer uma ação participativa, abrir o palácio para o povo e trabalhar junto com a comunidade. Vamos mudar o esquema, colocar gente com competência, como já fizemos. E conseguimos prêmios internacionais por conta dos nossos trabalhos. Vamos estudar.

Como o senhor espera que seja o relacionamento com o governo federal caso ele seja de um partido diferente do do senhor?

Eu sou republicano. Sempre fui. Então não há dificuldade de relacionar governo a governo, desde que haja interesse público. Tomou posse? No dia seguinte, só vale interesse público. Não vale pensar em interesses partidários, se é governo de oposição. Nós vamos apoiar os municípios. Sobre isso, não há nenhuma dificuldade. Eu, como prefeito, sempre fui muito duro com a Câmara, mas sempre aprovei todos os projetos, e projetos complexos, de muita diversidade, sem nenhuma dificuldade.

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