Futuro incerto

iG Minas Gerais |

É minha primeira coluna após a demissão da incompetente e retrógrada comissão técnica da seleção brasileira, o mínimo que a CBF poderia fazer, já que Luiz Felipe Scolari não teve o bom senso de pedir o boné logo depois do maior vexame da história do futebol. Ele se queimou mais ainda ao parecer se segurar no cargo e ao supor que poderia justificar o fragoroso desastre que foi seu trabalho para a Copa. Nesta semana, a entidade que deveria gerenciar o futebol brasileiro, e não só a seleção, anunciou o ex-goleiro e empresário de jogadores Gilmar Rinaldi como coordenador de seleções, um nome inesperado, pois Leonardo era o mais aventado. O ex-lateral disse que não foi convidado, mas acho que não aceitou. Para quem tem tanta moral no futebol, em especial na Itália – Milão, para ser mais preciso –, e também no PSG (França), ter a imagem atrelada a José Maria Marin, que dispensa apresentações, e ao atual estágio da seleção brasileira – na lama –, não seria um bom negócio para Leonardo e para ninguém, mas Rinaldi aceitou.  Gilmar foi um bom goleiro, que jogou em grandes clubes do Brasil e fez parte do grupo campeão do mundo em 1994. Sempre teve, para os padrões brasileiros, uma inteligência acima da média de seus companheiros de profissão. Quando parou de jogar, se tornou um dos mais bem sucedidos empresários de atletas, sem nunca ter o nome envolvido em falcatruas. Mas será que isso basta para ter nas mãos uma missão tão importante? Mesmo tendo dito que se desligou totalmente da função de empresário, se é que isso é possível de um dia para o outro, será que ele não tem contratos em vigor e comissões a receber?  Outra coisa que não ficou clara é qual a formação de Gilmar para a função. Ele estudou gestão de pessoas, gestão de negócios, administração de empresas, fez algum curso que o habilite para o cargo?  Fico imaginando quando um jogador que teve ligação com Gilmar for convocado para qualquer seleção de base ou mesmo para a seleção adulta. Ou se um bom jogador, que mereça, deixar de ser convocado para não levantar suspeita. Isso poderia ser evitado se outro nome tivesse sido escolhido, mas continuo com a opinião de que muita gente evitaria entrar nesse balaio de gato. A grande pergunta agora é quem será o próximo técnico da seleção brasileira? Só vejo uma pessoa capaz de assumir um desafio tão grande: Tite.  Ganhou tudo no Corinthians e, mesmo assim, após deixar o clube, foi para a Europa se reciclar, estudar, se atualizar. Além do mais, é educado, sabe lidar com a imprensa e tem a preferência da torcida brasileira. Nos últimos dias, o nome de Dunga tem ganhado força para uma possível volta ao comando da seleção.  Como treinador, ele até foi bem no time nacional. Nos quatro anos que ficou à frente da equipe – entre o fim das Copas de 2006 e de 2010 – foi campeão da Copa América, da Copa das Confederações e classificou o Brasil com facilidade para o Mundial da África do Sul, embora tenha caído nas quartas de final daquela competição. O problema de Dunga é psicológico. Ele acha que o mundo conspira contra ele, mais ou menos como Felipão. Assim como seu conterrâneo gaúcho, a educação também não é o forte de Dunga, que seria a mesmice para o futebol brasileiro, que precisa de alguém que tenha o mínimo de preparo emocional e social para lidar com o árduo trabalho que terá pela frente, ressuscitar a seleção.    Atlético. O Galo está muito perto do título da Recopa e deve ser campeão na quarta-feira, o que fará muito bem para que o elenco siga em busca de uma volta à Libertadores pelo Brasileiro. Mesmo com a falta de respeito de Ronaldinho Gaúcho para com os companheiros e para com o técnico Levir Culpi – não ficou no banco ao ser substituído na Argentina –, o time tem tudo para crescer, menos lateral esquerdo.  Cruzeiro. O time continua sendo um dos favoritos ao título do Brasileiro, mas não dá para ter o jogo contra o Vitória, na quarta-feira, no Mineirão, como parâmetro, pois a equipe baiana é muito ruim. Mas o Cruzeiro fez o que tem que fazer contra essas equipes, ganhar, ainda mais em casa. Outro fator que anima a torcida é que Everton Ribeiro parece estar retomando o futebol de 2013, quando foi o melhor do Brasileirão. 

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