E no fim das contas?

iG Minas Gerais |

acir galvao
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Um dia desses, em um encontro com as minhas amigas, surgiu um assunto que — pelo que pude perceber — ainda divide muitas opiniões: o homem deve ou não pagar a conta? Fiquei muito surpresa ao constatar que algumas das minhas amigas pensem tão diferente de mim nesse quesito. Pesquisando por aí, descobri que não só elas, mas a maioria das mulheres está mais machista do que os próprios homens. Imagine a seguinte passagem: um casal sai, come, bebe, conversa, se diverte e chega a hora de ir embora. O que acontece em seguida?  Se fosse na época da minha mãe, seria uma falta de classe o homem não pagar a conta inteira. Mas graças a Deus, atualmente, falta de classe é a mulher não oferecer para pagar pelo menos metade. Digo graças porque realmente acho um avanço a mulher não ter mais que “sair das mãos do pai para cair nas do marido”. Antigamente, esses eram os dois únicos destinos que nos esperavam: Casar ou encalhar. Atualmente, não casar é um direito, uma opção que nós temos. Nenhuma mulher mais se sente (ou pelo menos não deveria se sentir) inferiorizada por não ter arrumado um marido para acompanhá-la pela vida. Agora podemos caminhar sozinhas. Trabalhamos. Ganhamos o mesmo salário (às vezes até mais) que os homens. Somos independentes. Por isso acho um absurdo que essas mesmas mulheres, tão modernas, ainda pensem como nossas avós. Claro que ainda existem algumas (em extinção) que têm vocação para ser dona de casa. Profissão: dona de casa. Simplesmente. Não advogada e dona de casa; não médica e dona de casa; não dentista e dona de casa, não administradora e dona de casa... Algumas mulheres ainda querem simplesmente administrar apenas o próprio lar. Querem ser a médica, a advogada, a dentista só do marido e dos filhos e isso as faz feliz. Para essas, eu bato palmas. Acho um ato de coragem abrir mão da independência financeira em prol da família. Dessas mulheres, sim, eu entendo perfeitamente o ato de deixar um homem pagar suas contas. Elas ainda levam uma vida de “antigamente”, portanto, merecem ter suas contas pagas, como naquela época. Agora, mulheres emancipadas e financeiramente bem resolvidas choramingarem ou desmerecerem um rapaz por ele não oferecer pagar a conta inteira é realmente um grande retrocesso. Acho que parte do cérebro delas deve ter adormecido no tempo e precisa acordar o mais rápido possível. Julgar e escolher os homens pelo fato de eles assumirem integralmente ou “racharem” as despesas é um critério um pouco injusto. Relacionamentos sólidos são baseados em companheirismo, afinidade, inteligência e atração. Desculpem a franqueza, mas ficar com uma pessoa apenas pelo dinheiro que ela possui ou pela quantia que pode pagar por um programa tem outro nome: prostituição. Eu sempre ofereço pra dividir a conta, seja no primeiro ou no milésimo encontro. Seja ela de 5, de 50 ou de 500 reais. Se nos divertimos igualmente, que também paguemos a mesma quantia por essa diversão. E, por vezes, pago a conta inteira. Como também gosto que façam uma gentileza vez por outra. Acho que as relações sadias são assim, com divisões não apenas de prazeres e bons momentos, mas também de problemas e contas do dia a dia.  Pensa só... Se saísse com uma amiga não seria muito natural dividir o valor da conta por menor que ela fosse? Por que com o namorado, com quem temos tanta intimidade, temos que agir diferente? Não sou feminista. Muito pelo contrário. Adoro que cuidem de mim, que abram a porta do carro, que me deixem passar na frente, que me mimem, que me tragam flores, que sejam educados. Mas até o cavalheirismo tem que ser ajustado para os dias atuais. Do homem que estiver comigo (seja ele namorado, noivo ou marido), quero integralmente muito amor, carinho, lealdade, atenção, companhia... Tudo, menos dinheiro. Isso eu posso ganhar por mim mesma. Já um homem de verdade, desses que aceitam dividir as alegrias e as tristezas da vida, dinheiro nenhum pode comprar.

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