Morre, aos 73, João Ubaldo

Vítima de uma embolia pulmonar ontem pela amanhã, escritor baiano será enterrado no mausoléu da ABL

iG Minas Gerais |

Inédito. João Ubaldo Ribeiro trabalhava em novo romance, segundo sua secretária
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Inédito. João Ubaldo Ribeiro trabalhava em novo romance, segundo sua secretária

RIO DE JANEIRO. Autor de clássicos da literatura nacional como “Viva o Povo Brasileiro” e membro da Academia Brasileira de Letras, o escritor baiano João Ubaldo Ribeiro morreu ontem aos 73 anos, vítima de uma embolia pulmonar, em sua residência no Leblon, zona sul do Rio. O corpo está sendo velado na Academia Brasileira de Letras, na qual o autor ocupava a cadeira nº 34, e será enterrado no mausoléu na entidade. Ele deixa quatro filhos.

Nascido na ilha de Itaparica (BA) – cenário de alguns de seus principais trabalhos – em 23 de janeiro de 1941, Ubaldo formou-se em direito na Universidade da Bahia, mas jamais exerceu a profissão.

Escreveu seu primeiro livro, “Setembro Não Tem Sentido”, aos 21 anos. O segundo foi “Sargento Getúlio” (1971), uma de suas obras mais célebres, que lhe deu seu primeiro prêmio Jabuti, em 1972 e que, segundo a crítica, filia o escritor a uma vertente literária que sintetiza o melhor dos escritores Graciliano Ramos e Guimarães Rosa. O segundo Jabuti viria por “Viva o Povo Brasileiro”, outro celebrado livro do autor.

Ubaldo vivia no Rio, entre idas e vindas, desde os anos 70 do século passado. Entre 1990 e 1991, o escritor morou em Berlim, na Alemanha, a convite do Instituto Alemão de Intercâmbio. Ele era pós-graduado em administração pública pela UFBA e mestre em administração pública e ciência política pela Universidade do Sul da Califórnia (USC).

O escritor foi professor da Escola de Administração e da Faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia e professor da Escola de Administração da Universidade Católica de Salvador. Ribeiro trabalhou como colunista do jornal “Frankfurter Rundschau”, na Alemanha, e foi colaborador de diversos jornais e revistas no país e no exterior. Foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 7 de outubro de 1993. Em 2008, venceu o Prêmio Camões, principal premiação da língua portuguesa.

Novo romance. A secretária de João Ubaldo, Valéria dos Santos, contou que ele vinha trabalhando em um novo romance havia “um ano e meio ou dois”. “Ele acordava todos os dias por 4h ou 5h para aproveitar o sossego do horário e se sentava para escrever. Por volta das 10h, quando começavam os ruídos da casa, parava. Hoje, ele se sentiu mal por volta das 3h e chamou pela mulher, a psicoterapeuta Berenice Batella, com quem morava na companhia da filha Francisca, no Leblon. Rapidamente, chegaram paramédicos que tentaram reanimá-lo. Às 3h30, foi constatada a morte de Ubaldo”, contou Valéria. “Foi muito rápido e muito triste. Ubaldo era uma pessoa muito agradável, um gentleman, tinha uma delicadeza ao lidar com o ser humano”.

Valéria contou que, em maio, Ubaldo foi internado no hospital Samaritano com dificuldades respiratórias. Na ocasião, seu cardiologista o alertou para a necessidade de cortar em definitivo o cigarro – Ubaldo fumou a vida inteira. Ele chegou a reduzir a quantidade de cigarros, mas não parou.

Grande perda. O presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL), Geraldo Holanda Cavalcanti, determinou o cumprimento de luto por três dias pela morte do acadêmico João Ubaldo Ribeiro. A bandeira da ABL ficará hasteada a meio mastro. “É uma grande perda para a Academia, para o romance e o jornalismo nacionais. João Ubaldo Ribeiro deixa uma obra de excelência. Estamos todos muito chocados com a notícia”, afirmou.

Para o letrista, pesquisador e produtor cultural Hermínio Bello de Carvalho, Ubaldo é descrito como “um operário da palavra, muito criativo e bastante sacana”. “A maneira como ele conta as coisas é uma delícia, é daqueles escritores que repartem sensações. Alguns livros dele são essenciais. Todas as palavras são pobres para dizer o que significa essa perda”, afirmou.

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