A3 ‘básico’ põe Audi em alta

Versão Attraction 1.4 faz vendas da marca subirem em um mercado em baixa; rodando, motor 1.4 turbo tem força desde rotações mais baixas e contribui para a boa dirigibilidade

iG Minas Gerais | Márcio Maio |

Audi A3 Sedan 1.4 Attraction - Foto: Isabel Almeida/CZN
Isabel Almeida/czn
Audi A3 Sedan 1.4 Attraction - Foto: Isabel Almeida/CZN

A expectativa da Audi é fechar 2014 com pelo menos 10 mil carros vendidos. E a julgar pelo primeiro semestre do ano, a meta deve ser batida. Com isso, a marca alemã segue na contramão da queda registrada no setor automotivo nacional. Enquanto o mercado brasileiro de automóveis desceu 7,3% entre janeiro e junho em relação a 2013, a Audi conquistou expressivos 118% de aumento na mesma comparação. Passou de 2.802 unidades comercializadas no ano passado para 6.126 neste ano.

Parte delas nas versões “popularizadas” de seu sedã A3. Desde abril, o três volumes de entrada pode ser comprado por R$ 94,8 mil com motor 1.4 turbinado ou, na configuração ligeiramente mais “incrementada” Attraction, por R$ 99,9 mil.

Ambas são empurradas pelo mesmo propulsor das versões de entrada do hatch A3 Sportback. O 1.4 turbo de injeção direta entrega 122 cv entre 5.000 e 6.000 rpm e tem torque máximo de 20,4 kgfm – que já se encontra disponível a partir de 1.400 rpm até a faixa de 4.000 rpm. O motor trabalha combinado ao câmbio automatizado de sete velocidades com dupla embreagem S-tronic e é capaz de levar o carro aos 100 km/h em 9,4 s, com velocidade máxima de 212 km/h, segundo a marca.

Mercado

A intenção da Audi era aumentar as vendas do A3 sedã de 210 unidades emplacadas por mês no primeiro quadrimestre para 350 com a chegada do motor 1.4. Maio e junho, porém, não alcançaram essa meta. O modelo registrou 177 e 155 exemplares comercializados nesse período, respectivamente. A expectativa da fabricante, no entanto, é de que esse número ainda cresça e a nova motorização seja responsável por 60% das vendas no segundo semestre.

Conteúdo reduzido

O exterior do Audi A3 Sedan 1.4 é basicamente o mesmo do modelo com motor 1.8, exceto pela indicação da versão e dos pneus 205/55 em aro 16 – a configuração de topo usa 225/45 R 17. De resto, seguem as linhas arredondadas e o caimento na última coluna típico de cupê. Seu recheio, porém, é reduzido se comparado ao de outros exemplares do segmento premium. São cinco airbags – dois frontais, dois laterais e um de joelhos, para o motorista –, controles eletrônicos de estabilidade e de tração, sistema start/stop – que desliga o motor automaticamente quando o carro é parado em sinais fechados e engarrafamentos e o pedal do freio fica acionado – e direção eletromecânica.

Na configuração Attraction, os consumidores ganham volante multifuncional com paddle shifts para trocas manuais de marcha e som mais sofisticado. Nesta versão, o carro ainda pode receber opcionalmente sistema multimídia com navegador, controle de cruzeiro, sensor de estacionamento, teto solar e pintura metálica ou perolizada. Juntos, tais opcionais elevam a etiqueta de preço para R$ 124 mil.

Desempenho vigoroso

Dirigir um veículo de marca de luxo no Brasil sempre arranca olhares curiosos pelas ruas. Com o Audi A3 sedã Attraction 1.4 é assim. Por fora, o carro é idêntico à sua configuração 1.8, a não ser pela inscrição “1.4” na traseira, do lado direito. O visual, que mistura traços clássicos da marca com os charmosos e contemporâneos faróis e lanternas de LEDs, chama atenção por onde passa. Principalmente na cor vermelha, que evoca ainda mais a esportividade característica que os modelos da marca alemã carregam.

Em movimento, porém, é o rendimento do propulsor compacto a grande estrela. O motor 1.4 entrega 122 cv e 20,4 kgfm de torque, este último já disponível a partir de 1.400 rpm. As saídas de sinal em tráfego urbano são de fazer inveja e instigam pisadas cada vez mais carregadas no pedal do acelerador. Como o torque é pleno em praticamente toda a faixa útil do motor, ultrapassagens e retomadas são sempre bem feitas. Uma característica que o coloca em situação de destaque tanto em trânsito urbano, onde o “para e anda” resultante de sinais fechados e de engarrafamentos é constante, quanto em velocidade de cruzeiro. Segundo a Audi, a aceleração de 0 a 100 km/h é feito em 9,4 s e a máxima é de 212 km/h.

O acerto da suspensão é mais um ponto a favor do carro. Sua maciez se traduz em mais conforto aos ocupantes diante das imperfeições do asfalto brasileiro e, ao mesmo tempo, a sensação de segurança é constante. A tal ponto que é bem difícil perceber sua assistência eletrônica em funcionamento. O A3 sedã faz bem as curvas e mantém suas quatro rodas no chão em todos os momentos, mesmo quando se exige bastante do carro em velocidades elevadas e curvas acentuadas.

Mais simples?

Mas, apesar de carregar a assinatura Audi em seu nome, o interior deixa clara a condição de sedã de entrada. Como nos bancos em tecido e no ar-condicionado manual, por exemplo. São poucos os detalhes que transmitem maior requinte, como a tela LCD de sete polegadas do sistema de entretenimento e câmbio e o volante com revestimento em couro. Todos os materiais são visivelmente de boa qualidade e com encaixes perfeitos, mas nada muito diferente de automóveis bem mais abaixo da faixa dos R$ 100 mil.

O espaço interno está no meio-termo: o sedã húngaro não trata seus passageiros com grande folga, mas está longe de provocar apertos. O isolamento acústico é bom o suficiente para que o barulho do motor não incomode, mas também permite que ele apareça quando sua esportividade é exigida. Nesses momentos, o ronco é instigante até para quem está do lado de fora. Já parado, o sistema start/stop garante não apenas o silêncio absoluto, como também uma economia de combustível providencial. Sim, porque quando se resolve extrair o que de melhor o A3 sedã 1.4 tem a oferecer – sua esportividade –, a economia definitivamente deixa de ser um de seus pontos fortes. Um velho dilema automotivo.

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