Aleijadinho é foco em novo livro

Professor de arquitetura Ivo Porto de Menezes lança obra com nova pesquisa sobre mestre da arte barroca

iG Minas Gerais |

Aleijadinho foi um importante escultor e arquiteto barroco durante o período colonial no Brasil
Divulgação
Aleijadinho foi um importante escultor e arquiteto barroco durante o período colonial no Brasil

Quem foi Antônio Francisco Lisboa? O professor Ivo Porto de Menezes responde essa pergunta em livro a ser lançado neste sábado (19), a partir das 9h30, na Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa - Praça da Liberdade, 21.

Para chegar a uma resposta, foram 60 anos de pesquisa. O interesse pelo mestre do Barroco, Aleijadinho, começou nos anos 50, quando o professor era ainda aluno. “Estava me formando na universidade e, para dar aula de arquitetura brasileira, precisei me debruçar sobre sua história com minúcia”, diz.

Ele percorreu os arquivos de Portugal, Ouro Preto, Itaverava, Glaura e Belo Horizonte, além de processos jurídicos em cartórios. “É fácil escrever sobre uma pessoa que disseram que fez isso ou aquilo. Mas a história deve se basear em documentação”, pondera Menezes. “Quando comecei a pesquisa, a documentação se mostrava relativamente pequena. Ao longo do tempo, fui acumulando material”, afirma.

Como resultado, o livro “Antônio Francisco Lisboa” (editora C/Arte) disseca a origem, obra e morte de Aleijadinho, apresentando documentos e análises do levantamento de arquivo de um dos maiores e mais misteriosos mestres da nossa história.

Segundo o autor, há muitos “provavelmentes”. “Houve, em Belo Horizonte, um seminário na Associação Médica sobre a provável doença de Aleijadinho. Eles nunca chegaram a uma conclusão”, diz Menezes. “Lendas... Deduções... Hipóteses... Não importa a ferida, não importa a doença, ‘foi um grande artista’, já concluíram os médicos”, expõe o autor no livro.

Menezes acredita que, em meio de tantas teorias a dar conta da condição do artista, a própria arte o fez assim. “Ele foi o introdutor do trabalho escultórico com pedra-sabão. Isso fazia com que pequenos fragmentos de quartzo entrassem sob suas unhas e o ferissem. Para se proteger, ele envolvia as pontas dos dedos com panos, o que causava inflamações”, afirma. Essa e outras curiosidades são expostas na nova publicação.

Ivo Porto de Menezes é professor emérito da Escola de Arquitetura da UFMG, doutor pela Escola de Minas da Universidade do Brasil, arquiteto do Iphan e Iepha/MG. Também foi diretor do Arquivo Público Mineiro. E ele ainda planeja continuar a pesquisa. “Não tenho condições físicas de permanecer em arquivos. Mas o importante é que essas informações permaneçam nos arquivos e continuem a ser complementadas”, defende.

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