Bailarina volta aos palcos depois de dois anos sem dançar

Há 20 anos Wilmára Marliére não ficava na ponta dos pés durante uma dança de balé, no último dia 10 de julho ela dançou desta forma pela primeira vez

iG Minas Gerais | Natália Oliveira |

No último  dia 10 de julho foi apresentado o espetáculo
No último dia 10 de julho foi apresentado o espetáculo "A Morte do Cisne"

Para uma bailarina os movimentos da coluna e das pernas é o que mais importa. Ficar sem eles é ficar sem dançar. Essa triste experiência foi experimentada pela bailarina  Wilmára Marliére, 47, que tem uma doença rara, a síndrome de Arnold Chiari – que, dentre outros  leva a perda progressiva dos movimentos. Por causa da doença, há dois anos ela teve que fazer uma cirurgia na coluna e desde então não tinha mais subido ao palco, situação que mudou no último dia 10 de julho quando ela se apresentou no espetáculo “A Morte do Cisne", às 19:00 horas, no grande teatro do Sesc Palladium, na avenida Augusto de Lima, no centro da capital.

“Os primeiros sintomas da doença surgiram quando ela tinha 11 anos e começou a ficar surda, desde então ela já passou por quatro cirurgias e por muitas superações para voltar a dançar. "Há 20 anos eu não conseguia mais ficar na ponta dos pés e fazer o movimento chamado ponta no balé, mas quero continuar dançando enquanto conseguir”, contou Wilmára. A doença chegou a afetar seus pulmões e coluna se calcificou e parte dos ossos chegaram a entrar na cabeça dela.

Mesmo bastante debilitada, Wilmára não desistiu. Ela continuou ensaiando e  no espetáculo que estrou em julho ela passa a maior parte do tempo na ponta dos pés. “Para mim foi muito gratificante voltar a subir no palco. Eu estou me sentindo viva. Eu sou muito forte e tive todo o apoio da minha família. Acho que isso foi essencial para que eu pudesse voltar a dançar”, considerou a bailarina.

O espetáculo é fruto do projeto Céu e Terra idealizado por ela, sua irmã Meiry Isméria e pelo marido dela  Wéberty Marliére. O projeto é pioneiro no trabalho  com bailarinos surdos e ouvintes e os violonistas, surdos, cegos e ouvintes. Ao todo são cerca de 40 participantes do projeto. “Desde 1195 quando fiz a primeira cirurgia eu fui ficando muito debilitada, cheguei a entrar em coma. Esta será minha estreia no palco e minha estreia de de volta a vida”, concluiu Wilmára.

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