Obama critica apoio russo a rebeldes e diz que avião foi abatido

"Um grupo de separatistas não pode derrubar um avião militar e um jato de combate sem treinamento, e isso está vindo da Rússia", afirmou o presidente

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Barack Obama e Vladimir Putin conversavam pelo telefone no momento em que foram informados do acidente na Ucrânia
AP Photo/Evan Vucci, File
Barack Obama e Vladimir Putin conversavam pelo telefone no momento em que foram informados do acidente na Ucrânia

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou nesta sexta-feira (18) que o avião da companhia Malaysia Airlines que caiu no dia anterior na Ucrânia, matando 298 pessoas de ao menos 11 nacionalidades, foi atingido por um míssil terra-ar lançado a partir de uma área do leste do país que está sob controle de separatistas apoiados pela Rússia.

É uma conclusão similar à apontada mais cedo pela enviada dos EUA ao Conselho de Segurança da ONU, Samantha Power, e por um relatório vazado à rede de TV americana CNN.

Uma vez mais, o americano acusou o governo russo de prover aos rebeldes vários armamentos, inclusive os mais pesados, e treinamento militar. Além disso, afirmou, o Kremlin continua se recusando a "adotar os passos necessários" para acabar com o conflito e, por isso, é alvo de sanções econômicas internacionais -- ampliadas na última quarta (16), antes do acidente.

"Não é possível que os separatistas operem como operam e tenham o equipamento que têm, independentemente do que houve com o avião da Malaysia. Um grupo de separatistas não pode derrubar um avião militar e um jato de combate sem treinamento, e isso está vindo da Rússia", afirmou a jornalistas, na Casa Branca.

Nas últimas semanas, foram derrubados, em regiões separatistas da Ucrânia, um cargueiro militar, um helicóptero e um jato de combate.

O presidente classificou o episódio de "tragédia global" e pediu que seja realizada uma "investigação internacional crível", inclusive garantindo a adoção de um cessar-fogo que permita o acesso irrestrito de especialistas internacionais à área do acidente. O mesmo pedido já havia sido feito, mais cedo, pelo presidente russo, Vladimir Putin, e pela chanceler alemã, Angela Merkel. Obama também confirmou a identificação de um dos 298 mortos como um cidadão americano, Quinn Lucas Schansman.

"É importante para nós reconhecer que o tamanho desse evento destaca que é hora de restabelecer a paz na Ucrânia", disse. Obama elogiou os "esforços do governo ucraniano em adotar um cessar-fogo e um plano de paz" e disse que eles têm sido minados pela ação dos rebeldes, "graças ao apoio russo".

Russos

Perante o Conselho de Segurança da ONU, os EUA reafirmaram que a principal suspeita sobre o tipo de armamento usado na ação recai sobre o míssil Buk tipo SA-11 e frisaram que não está descartado o envolvimento de cidadãos russos em terra.

"Por causa da complexidade técnica do [míssil] SA-11, é improvável que os separatistas possam ter efetivamente operado o sistema sem a ajuda de pessoal especializado", afirmou Power, a representante dos EUA. "Portanto, não podemos descartar a assistência de pessoal russo para operar os sistemas".

Para Power, se separatistas apoiados pela Rússia estiverem por trás do ataque, "eles e seus apoiadores têm uma boa razão para esconder as evidências de seu crime".

Presente à sessão, o embaixador russo na ONU, Vitaly Churkin, disse ser necessário investigar a responsabilidade das autoridades ucranianas na queda do avião. "Para qualquer pessoa normal, uma pergunta aparece: por que [controladores] ucranianos enviaram um voo de passageiros a uma área de conflito militar -- uma área que está sendo usada para atacar alvos civis?", questionou.

Provas 

O governo ucraniano divulgou nesta sexta-feira  (18) um áudio em que supostos separatistas pró-Rússia são flagrados debatendo a queda de um avião. Nas conversas, um interlocutor questiona se havia armas a bordo, ao que outro responde só ter encontrado "objetos civis".

Especialistas de inteligência e defesa ocidentais afirmam que os separatistas estão apagando da internet fotos e comentários que podem ser interpretados como elo entre eles e a queda do avião.

Conforme o jornal britânico "Guardian", postagens que indicavam que um avião militar ucraniano Antonov havia sido derrubado em um horário próximo do da queda do voo MH17 foram apagadas.

Também desapareceram fotos e vídeos que mostravam o deslocamento de, aparentemente, um Buk em direção a uma área entre Snizhne e Torez que está sob controle rebelde e que fica perto do local da queda. Uma dessas fotos, dizem, mostrava um Buk em posição de lançamento, ao lado de um supermercado em Torez.