Netanyahu justifica ofensiva para destruição de "túneis do terror"

O primeiro-ministro israelense disse que seu país combate apenas terroristas e acusou as milícias em Gaza de usar a população civil como “escudos humanos”

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse nesta sexta-feira (18) que a operação militar terrestre israelense na Faixa de Gaza é necessária para atingir os “túneis do terror” usados pelo Hamas, o movimento fundamentalista islâmico que tem lançado foguetes e morteiros contra Israel. Segundo ele, a incursão por terra foi decidida "depois de terem sido esgotadas todas as opções e com a consciência de que o preço a pagar pode ser alto".

"Não é possível resolver [o problema] dos túneis unicamente a partir do ar. Os nossos soldados vão fazer isso em terra", disse Netanyahu antes de uma reunião do governo. A fase terrestre da operação militar, chamada Margem Protetora, teve início na noite de ontem (17) com o objetivo de destruir a rede de túneis entre a Faixa de Gaza e Israel e anular a capacidade do Hamas e de outros grupos armados de disparar foguetes contra o território israelense.

Netanyahu disse que conversou, nas últimas horas, com vários líderes internacionais para explicar a situação vivida por Israel e tentar convencer a comunidade internacional de que seu país combate “com moderação uma organização terrorista assassina”, buscando devolver a calma aos seus cidadãos.

O primeiro-ministro disse que seu país combate apenas terroristas e acusou as milícias em Gaza de usar a população civil como “escudos humanos”. Ele reconheceu que as críticas internacionais “são inevitáveis” por causa das mortes de civis na ofensiva, mas responsabilizou apenas o Hamas pelas vítimas inocentes do conflito.

Na última quinta-feira (17), o governo brasileiro rechaçou a incursão terrestre israelense em Gaza, classificando-a como um grave retrocesso nos esforços de paz, mas também as ações do Hamas. “O Governo brasileiro condena veementemente os bombardeios israelenses a Gaza, com uso desproporcional da força, que resultaram em mais de 230 palestinos mortos, muitos deles civis desarmados e crianças. Condena, igualmente, o lançamento de foguetes e morteiros de Gaza contra Israel”, destacou o Itamaraty em nota.

Desde o início da operação terrestre, mais de 20 palestinos e um soldado israelense morreram no conflito na Faixa de Gaza, de acordo com as fontes oficiais de cada lado. Na Operação Margem Protetora,  que começou em 8 de julho, o número de mortes ultrapassa 260, sendo dois israelenses, com mais de 2 mil feridos. Esta é a terceira ofensiva israelense na região desde 2007, quando o Hamas assumiu o controle em Gaza.