Soldado israelense e 20 palestinos morrem em ofensiva em Gaza

A maioria dos confrontos aconteceu no sul do território de 360 quilômetros quadrados, em Khan Yunes e em Rafah, e na zona norte, perto da fronteira com Israel

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Os soldados israelenses, apoiados por tanques e pela aviação, entraram nesta sexta-feira (18) no segundo dia da ofensiva terrestre na faixa de Gaza, que pretende destruir as infraestruturas e o armamento do movimento islamita palestino Hamas, apesar do risco para os civis.

Ao menos 20 palestinos e um soldado israelense morreram nas últimas horas. A operação terrestre começou na quinta-feira (17) à tarde, apesar dos apelos da comunidade internacional ao governo de Israel para tentar evitar as vítimas civis.

Segundo o "New York Times", o militar morto foi o sargento Eitan Barak, 20, provavelmente por fogo amigo. Israel disse que ele morreu durante combate com o Hamas.

Os serviços de saúde palestinos disseram que entre as vítimas estão um garoto de quatro anos e um jovem de 18.

A maioria dos confrontos aconteceu no sul do território de 360 quilômetros quadrados, em Khan Yunes e em Rafah, e na zona norte, perto da fronteira com Israel.

O posto de fronteira israelense de Erez, único ponto de passagem para pedestres, foi fechado. A maior parte de Gaza ficou sem energia.

O objetivo principal das tropas terrestres, que entraram por vários pontos na faixa de Gaza - delimitada por Israel, Egito e pelo mar Mediterrâneo - é destruir os túneis subterrâneos de contrabando construídos pelo Hamas, que controla o território, para introduzir mercadorias, dinheiro e armas.

Segundo o Exército, cinco túneis já foram destruídos, 100 locais foram atingidos e 14 membros do Hamas foram "neutralizados".

O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, pediu aos militares que "se preparem para a possibilidade de uma ampla e significativa" ofensiva, embora "não haja garantia de 100% de sucesso", segundo o "New York Times".

Em comunicado transmitido pela televisão, ele defendeu a ofensiva. "Nós escolhemos fazer essa operação depois de esgotar outras opções e entendendo que sem essa operação o preço a pagar seria muito maior".

Ofensiva

A operação por terra começou depois de uma breve trégua humanitária de cinco horas na última quinta-feira (17).

"O primeiro-ministro e o ministro da Defesa ordenaram na noite desta quinta-feira que o Exército iniciasse uma operação terrestre e penetrasse na faixa de Gaza para destruir os túneis utilizados para atividades terroristas em Israel", indica o gabinete do primeiro-ministro em um comunicado.

"A decisão foi aprovada pelo gabinete de segurança devido à recusa do Hamas em aceitar o plano egípcio de um cessar-fogo e à manutenção dos disparos de foguetes contra Israel".

Ao menos 260 palestinos morreram desde o início da ofensiva de Israel, há 11 dias, contra a faixa de Gaza com o objetivo de interromper os lançamentos de foguetes a partir do território. Durante o mesmo período, dois israelenses morreram, segundo o exército.

Hamas

Logo depois do anúncio da invasão terrestre a Gaza, o Hamas advertiu que Israel vai pagar um "alto preço". "O início da ofensiva terrestre israelense em Gaza é um passo perigoso, de consequências que não foram calculadas", afirmou o porta-voz do Hamas, Fawri Barhum, em um comunicado.

"Israel vai pagar um alto preço e o Hamas está preparado para o confronto", acrescentou. O presidente palestino, Mahmud Abbas, afirmou que a ofensiva provocará apenas "mais derramamento de sangue" e complicará os esforços para acabar com o conflito na faixa de Gaza.

Segundo o chefe no exílio do Hamas, Khaled Mechaal, "o que o ocupante israelense não conseguiu realizar com seus ataques aéreos e navais não obterá com sua ofensiva terrestre, que está condenada ao fracasso".

"Temos reivindicações claras: o fim da agressão e das punições coletivas contra nosso povo na faixa de Gaza e na Cisjordânia, e a suspensão total do cerco a Gaza", destacou Mechaal.

Sem energia

Quase 70% da faixa Gaza está sem energia elétrica desde o início da ofensiva terrestre israelense na  última quinta-feira(17).

"Todas as nossas linhas com Israel estão cortadas. Geralmente, recebemos 120 MW. Hoje não recebemos nada", disse à agência AFP o diretor da agência de energia elétrica de Gaza, Fathi Sheikh Khalil.

"Pedimos a ajuda da Cruz Vermelha para reparar algumas linhas em Gaza. E pedimos aos serviços israelenses de energia elétrica que reparem as linhas do seu lado, mas informaram que era muito perigoso", explicou.

"Agora 70% da Faixa de Gaza está sem energia elétrica. A pior situação acontece ao norte, onde ficaram totalmente sem corrente", disse Khalil.

Os habitantes de Gaza sofrem em períodos normais de 8 a 12 horas de cortes cotidianos de energia elétrica, que afetam hospitais, escolas, lojas ou unidades de tratamento de água no território de mais de 1,5 milhão de habitantes.

Quase 30% da energia elétrica de Gaza é gerada em uma usina abastecida por Israel. Esta central, de 50 MW, funcionava nesta sexta-feira e fornecia -durante 16 horas ao dia– energia para o oeste e centro do território. A ONU calcula a demanda energética da faixa de Gaza em 360 MW.

Reações Internacionais

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, lamentou a operação terrestre, enquanto a França manifestou preocupação, ressaltando que "é essencial proteger as populações civis e evitar novas vítimas".

O secretário americano de Estado, John Kerry, telefonou ao premiê Netanyahu para "destacar a necessidade de se evitar uma nova escalada" na faixa de Gaza e "se restaurar a trégua de 2012 o mais cedo possível".

Kerry reforçou o compromisso de Washington "com a iniciativa egípcia" para uma trégua e destacou "a importância de que o Hamas aceite este plano assim que possível".

Netanyahu destacou durante o diálogo a "ameaça iminente" para os civis israelenses que representam os túneis do Hamas entre a faixa de Gaza e Israel.

Kerry reconheceu a ameaça e o direito de Israel de se defender, mas pediu uma operação precisa, que tenha como alvo apenas os túneis", destacou o departamento de Estado.

O Egito denunciou "a escalada" israelense e pediu que as partes em combate aceitem sua proposta de trégua.