Relatório conclui que provavelmente separatistas derrubaram avião

"O que sabemos é que o incidente aconteceu no contexto de crise na Ucrânia, que é alimentada pelo apoio da Rússia aos separatistas incluindo através de armas, material e treinamento", disse a Casa Branca

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Um relatório preliminar da inteligência americana concluiu nesta sexta (18) que o míssil que atingiu o avião no leste da Ucrânia, ontem, muito provavelmente foi lançado por rebeldes separatistas pró-Rússia, segundo um oficial ouvido pela CNN.

A análise conclui que o míssil veio do sistema Buk, conhecido pela Otan como SA-11. Anteriormente, a inteligência americana já havia dito que o avião foi destruído por míssil do sistema SA, russo, segundo dados de vigilância que mostravam a trajetória do míssil, mas não sua origem.

"Enquanto ainda não temos todos os fatos, o que sabemos é que o incidente aconteceu no contexto de crise na Ucrânia, que é alimentada pelo apoio da Rússia aos separatistas, incluindo através de armas, material e treinamento", disse a Casa Branca na última quinta (17).

As tropas russas, ao longo da fronteira com a Ucrânia, têm sistemas similares ao Buk, segundo um oficial do Pentágono.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, acusou o governo da Ucrânia pela instabilidade na região. Nesta semana, os separatistas derrubaram pelo menos três aviões militares ucranianos na região.

O Boeing-777 da Malaysia AIrlines caiu na região de Donetsk, controlada pelos separatistas, com 298 pessoas a bordo. Rússia e Ucrânia se acusam pela responsabilidade da tragédia.

O serviço de inteligência da Ucrânia interceptou uma conversa entre separatistas no momento em que o avião foi derrubado. Os separatistas confirmam terem derrubado um avião e, em outra ligação, avisam terem encontrado destroços de um avião civil.

Suspeitas

Andrei Purgin, vice-premiê da República de Donetsk, não reconhecida por Kiev, disse que não foram os rebeldes que derrubaram o avião. Segundo ele, os separatistas têm capacidade para derrubar aviões a até 4.000 metros de altura. O Boeing-777 voava a 10 mil metros.

Purgin, por sua vez, levantou a possibilidade de que as próprias forças ucranianas sejam responsáveis, o que Kiev negou.

Anteriormente, o Ministério da Defesa ucraniano negou que o Exército tenha utilizado alguma vez sistemas de defesa antiaérea no curso da operação antiterrorista lançada pelas autoridades em Kiev para recuperar o controle das regiões rebeldes pró-russas.

O ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, também negou o envolvimento de seu país. O Ministério da Defesa russo informou ainda que o sistema de mísseis ucraniano estava ativo no dia da queda do avião.

"Os meios de detecção eletrônicos russos registraram no dia 17 de julho uma atividade na estação de radar Kupol, que trabalha em conexão com os sistemas de mísseis Buk-M1", afirmou o ministério, citado pelas agências russas, acrescentando que a estação de radar fica perto do local da tragédia.

O procurador-geral da Ucrânia, Vitali Yarema, confirmou nesta sexta-feira (18) que os separatistas pró-russos não se apoderaram de seus sistemas de defesa antiaérea Buk que supostamente poderiam ter sido utilizados na última quinta-feira (17) para derrubar o avião.

"Depois que o avião foi derrubado, os militares informaram ao presidente que os terroristas não dispõem de nossos sistemas Buk e S300. Não se apoderaram dessas armas", assegurou Yarema ao jornal eletrônico "Ukrainskaya Pravda".

O presidente ucraniano Petro Poroshenko chamou a ação de "ato terrorista" e disse ainda que "a Rússia é responsável pelo que está acontecendo na Ucrânia", se referindo à crise no país.

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