A Divina Comédia de Dalí

iG Minas Gerais | Barbara França |

“Paraíso – São Tiago e a Esperança”
Foto Reprodução
“Paraíso – São Tiago e a Esperança”
Uma obra é da década de 1950. A outra foi escrita há mais de sete séculos. No entanto, elas continuam muito atuais. A releitura em gravuras que o pintor espanhol Salvador Dalí fez da “Divina Comédia”, de Dante Alighieri, sob encomenda do governo italiano para celebrar o heptacentenário do escritor, chega a Belo Horizonte trazendo temas que continuam atuais na vida do ser humano. “Dalí e Dante são grandes gênios da arte e da literatura mundial, o que eles fizeram no seu tempo ecoa ainda hoje, como os valores de bem e de mal, o conceito de amor, a busca da superação, as dificuldades, as incertezas, as dúvidas, tudo isso ainda é muito importante para o homem contemporâneo”, comenta Ania Rodriguez, a curadora da exposição “Dalí – A Divina Comédia”, em cartaz na Academia Mineira de Letras do dia 18 (sexta) a 17 de agosto.   Ao todo, cem gravuras divididas entre Inferno, Purgatório e Paraíso retratam em aquarela cada um dos poemas épicos que compõem o clássico da literatura universal. Mas engana-se quem pensa que verá na exposição meras ilustrações da Divina Comédia. Cada peça traz em si a especificidade daquele que é considerado um dos maiores representantes do surrealismo, famoso por seus relógios derretendo, seus corpos moles, seus animais de patas imensas... “Dalí, como um grande gênio de seu tempo, está dialogando com outro gênio da cultura ocidental e não se subordina ao texto literário. Ele coloca sua própria personalidade, interpreta Dante de uma forma totalmente inovadora”, declara Ania, que destaca o “anjo caído” e o “diabo lógico” como imperdíveis, reconhecendo a dificuldade em elencar somente algumas das imagens.    Por questões de nacionalidade, o acordo entre o governo italiano e o pintor espanhol precisou ser cancelado, mas Dalí não interrompeu o trabalho. Hoje, as gravuras pertencem a um acervo particular na Espanha e viajam o Brasil em exposições desde 2012. “Acho que são obras que poderiam ser mostradas em qualquer momento. Agora ou daqui a 20 anos, nada tira o valor desse trabalho”.   Dalí – A Divina Comédia Academia Mineira de Letras (r. da Bahia, 1.466, centro) De 18 de julho a 17 de agosto, visitação de quarta a domingo, das 9h às 19h. Entrada gratuita.

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