Cartel das salsichas é multado em R$ 1 bi

Mais de 20 fabricantes conversavam para combinar preços

iG Minas Gerais |

LONDRES, REINO UNIDO. As autoridades alemãs multaram em 338 milhões (R$ 1 bilhão) um grupo de 21 fabricantes de salsichas acusado de formar um cartel para vender um dos produtos mais tradicionais da culinária local. A decisão foi anunciada pelo Bundeskartellamt, órgão responsável pelo controle de concorrência no país (equivalente ao Cade no Brasil). Além das empresas, mais 33 pessoas estão envolvidas na prática. De acordo com as autoridades alemãs, as investigações começaram após uma denúncia anônima. Onze empresas admitiram, então, a prática de combinar preços e contribuíram para a apuração. Por décadas, diz o órgão de regulação, as empresas envolvidas discutiam o mercado de salsichas no âmbito do chamado “Grupo Atlântico” e, a partir de 2003, teriam então iniciado um conluio para combinar preços na Alemanha. “Os acordos eram feitos por telefone”, diz trecho do relatório da agência reguladora. Segundo o documento, devido à heterogeneidade dos produtos, como diferentes tipos de salsicha e tamanhos, por exemplo, não era possível definir preços específicos. A saída foi criar uma faixa de preço para cada grupo  como salsicha cozida ou crua e presunto, por exemplo. “Consequentemente, os fabricantes foram capazes de exigir preços mais altos para seus produtos do comércio varejista, como resultado do acordo de cartel”, afirma o órgão. Entre as empresas citadas estão marcas conhecidas como Meica, Boeklunder, Wiesenhof e Herta (subsidiária da Nestlé). Segundo Andreas Mundt, presidente do Bundeskartellamt, o alto valor da multa aplicada a todas as empresas, algo em torno de R$ 1 bilhão, deve-se, sobretudo, à quantidade de envolvidos, ao considerável período de operação do cartel e ao montante vendido aos consumidores. “Esse cartel foi praticado por vários anos. Ao aplicar a multa, levamos em conta também a situação econômica e financeira de cada empresa e sua posição no mercado”, explicou Mundt. A decisão, porém, pode ainda ser contestada na alta corte.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave