Engarrafamento será medido

BHTrans avalia ferramenta que mensure o tamanho do congestionamento, mas não há data para compra

iG Minas Gerais | Luciene Câmara |

Internamente. A BHTrans informou que faz medições dos congestionamentos na capital, e os dados são usados por técnicos da empresa
Lincon Zarbietti / O Tempo
Internamente. A BHTrans informou que faz medições dos congestionamentos na capital, e os dados são usados por técnicos da empresa

A Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) avalia com diversos fornecedores alternativas tecnológicas para conseguir medir retenções no trânsito da capital. Para engenheiros especializados na área, mais do que informar a população sobre os gargalos e as rotas, o serviço subsidia análises e tomadas de decisões em curto, médio e longo prazos que impactam no planejamento urbano. Feita em São Paulo desde meados dos anos 80, a metragem de congestionamento ainda não tem data para ser implementada em Belo Horizonte.  

O engenheiro em transportes e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Dimas Gazolla disse que fazer a medição é uma ferramenta essencial de gestão urbana. “É um dado usado para análise e diagnóstico. Colocando em uma série histórica, a partir do momento que começa a medir mês a mês, ano a ano, é possível perceber se o congestionamento está aumentando e quais as causas e soluções”, afirmou.

Para ele, a medição deveria não só ser feita diariamente como divulgada na mesma frequência. “É uma informação que deve ser pública para órgãos de pesquisa e de planejamento urbano. Projetos de obras, por exemplo, deveriam incluir essa estatística para saber se a intervenção vai agravar ou piorar o trânsito”, explicou Gazolla.

Em São Paulo, a informação é divulgada em tempo real, com mapas por região da cidade contendo as vias mais e menos congestionadas. A BHTrans declarou que “internamente a empresa faz algumas medições, mas apenas para utilização dos técnicos”. O novo Centro de Operações da Prefeitura de Belo Horizonte (COP) foi inaugurado no mês passado, sem o recurso tecnológico capaz de executar a tarefa.

Funcionamento. Em São Paulo, são usados três métodos de medição: nos Postos Avançados de Campo (PACs), posicionados no alto de prédios; funcionários da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), equipados com binóculos e aparelhos de comunicação, informam as condições das principais vias da cidade (eles são responsáveis por 65% do monitoramento); e na Central de Operações da CET. Nesse local, a observação é feita por meio das imagens de 383 câmeras espalhadas pela cidade. Operadores de trânsito em campo também são responsáveis por relatar acidentes e os pontos de retenção.

Números. Na Central de Operações da CET, técnicos reúnem todas as informações em um banco de dados criado pela companhia, que faz automaticamente a contabilidade dos quilômetros de lentidão e atualiza essa contagem minuto a minuto. Atualmente, a medição engloba 15 mil vias (868 kms) da capital paulista.

Para o engenheiro em transportes Ronaldo Guimarães Gouvêa, a presença física de agentes da BHTrans na rua ainda é muito limitada. “Às vezes, a gente passa o dia circulando e não vê um agente. Se houvesse mais fiscalização, seria possível suprir o Centro de Operações com informações e abrir canais de divulgação com a mídia”, afirmou.

A BHTrans informou que conta com 70 agentes atuando diretamente no COP e um total de mil na Unidade Integrada de Trânsito, que inclui a Polícia Militar (PM) e a Guarda Municipal.

Estrutura e atividades do novo Centro de Operações

Ampliação. Uma das obras de mobilidade previstas para a Copa do Mundo de 2014, o Centro de Operações da Prefeitura de Belo Horizonte (COP) foi inaugurado em 8 de junho último, com a presença da presidente da República, Dilma Rousseff (PT).  Objetivo. A expectativa era que a medição das retenções do trânsito começassem a ser feitas. Câmeras. Ao custo de R$ 31,6 milhões, o novo centro de monitoramento da capital funciona em tempo integral e tem televisores que exibem imagens das 97 câmeras distribuídas pelas ruas de Belo Horizonte. A previsão é que, ao todo, sejam implantados mil equipamentos para o monitoramento do trânsito na cidade. A implantação das outras câmeras ainda não tem data prevista. Medidas. O COP centraliza o controle de 80% das 950 interseções com semáforos do município e alimenta os 19 painéis digitais de mensagens variáveis distribuídos pelos principais corredores de tráfego da capital. A partir do monitoramento, a Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) decide como será feito o deslocamento de equipes da autarquia.

COP Estrutura. O Centro de Operações da PBH (COP), construído no bairro Buritis, é um prédio com três andares e área de 3.000 m². O objetivo é que seja um centro estratégico de tomadas de decisão. 

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