Amor, loucura: o encontro pela escultura

Drama que mostra o romance do casal Camille Claudel e Auguste Rodin será apresentado no Teatro Bradesco

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

Intenso. Claudel passa de aluna a assistente e amante de Rodin em um relacionamento que durou 15 anos
ALEXANDRE CATAN DIVULGAÇÃO
Intenso. Claudel passa de aluna a assistente e amante de Rodin em um relacionamento que durou 15 anos

O romance conturbado entre Auguste Rodin e Camille Claudel parece inventado. Não à toa, já foi retratado de diversas maneiras, como no filme de Bruno Nuytten, película que optou por recortar a história pelo olhar da artista. Neste fim de semana, o público poderá conferir a versão teatral do amor entre os dois grandes escultores franceses. O espetáculo “Camille e Rodin” será apresentado no Teatro Bradesco até domingo.

A atriz Melissa Vettore comemorava seu aniversário, quando expôs a Leopoldo Pacheco o desejo de estudar e levar à cena a escultora – que, depois de seu rompimento com Rodin, perdeu a razão e foi internada em vários hospitais psiquiátricos, onde morreria, em 1943, aos 79 anos.

“A Melissa me falou do seu desejo de estudar a vida e a obra de Claudel e eu lhe propus que a gente estudasse também Rodin. Ela me perguntou se eu toparia. E eu disse que sim, claro”, revela Pacheco.

A partir do combinado, os dois atores passaram a levantar materiais sobre o casal. “Fomos atrás de todas as biografias já publicadas e catálogos com a obra deles. Principalmente a Melissa, porque eu estava gravando. Fizemos uma grande compilação”, ressalta o ator.

A dupla então começou a pensar em caminhos para o espetáculo junto do dramaturgo Franz Keppler. “Durante nove meses, ele escreveu pelo menos cinco versões do texto até chegarmos à versão final, que levamos para o trabalho de mesa (leituras realizadas antes dos ensaios)”, diz Pacheco.

ENREDO. Ao chegar à cidade de Paris, ainda muito jovem, Camille Claudel se torna aluna, discípula e amante de Auguste Rodin. A peça mostra Claudel como uma jovem intuitiva, dona de uma imaginação excepcional e que entrou em conflito com sua família e com as normas de conduta aceitas à sua época para se transformar em uma artista grandiosa. De outro lado, Auguste Rodin, um gênio já maduro, que não revela a Claudel ser casado e comfilhos.

Depois de 15 anos de tortuoso relacionamento, o rompimento definitivo marcará a vida e a obra de ambos para sempre. Auguste Rodin se tornaria o maior escultor de todos os tempos. E Camille Claudel enfrentaria a desilusão amorosa, a moral avassaladora da época, a não aceitação das mulheres na arte da escultura, a rejeição da família e dificuldades financeiras.

“O Elias (Andreato, diretor da peça) nos propôs que centrássemos a trama somente nos 15 anos que os dois passaram juntos. Existem até referências da vida deles depois da separação – como as cartas que Claudel escrevia para a família –, mas nós optamos por não desdobrar demais essa história”, revela Pacheco.

Quando foram colocar as ideias em prática no espetáculo, as obras de Rodin e Claudel foram inspiradoras. “Nós tínhamos fotos das esculturas deles pregadas nas paredes da sala de ensaio, para servir de inspiração. Chegamos à conclusão de que a gente não precisava tentar trazer essas esculturas fisicamente para a cenografia. Então, algumas esculturas marcantes, como ‘O Beijo’ ou ‘A Porta do Inferno’, serviram de base para posturas físicas nossas. São alusões que pessoas com olhar atento vão entender”, conta.

Após a apresentação do dia 19, sábado, os dois atores do espetáculo participarão do Encontros Vivo EnCena. O debate é uma ação cultural integrada, exclusiva para o público que estiver assistindo ao espetáculo. Será mediado pelo pesquisador em gestão cultural e curador do Vivo EnCena, Expedito Araujo.

Serviço. “Camile e Rodin”. Amanhã, às 21h; e domingo, às 20h, no Teatro Bradesco (rua da Bahia, 2.244, Lourdes). Ingressos: R$ 40 e R$ 20 (meia-entrada)

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