Os cavalheiros da luz em meio às trevas

Sessão de clássicos no Cinemark exibe um dos maiores filmes de todos os tempos ; e ainda tem Marlon Brando

iG Minas Gerais | daniel oliveira |

Marlon Brando é luz e sombra como Vito Corleone, que lhe rendeu o Oscar
Paramount
Marlon Brando é luz e sombra como Vito Corleone, que lhe rendeu o Oscar

Talvez nenhum outro filme na história do cinema seja um exemplo melhor da definição de que cinema é “escrever com luz” do que “O Poderoso Chefão” (1972). Porque, apesar de ser lembrado por seus grandes momentos épicos, como o assassinato de Sonny Corleone, é nos momentos mais íntimos e nas conversas mais reservadas que olonga revela o que é: uma batalha entre luz e escuridão.

Não é coincidência que o filme comece em um desses momentos, com uma longa conversa entre Vito Corleone (Marlon Brando, um deus) e um de seus afilhados. A cena estabelece de partida o patriarca como esse personagem que habita no exato limiar entre o claro e o escuro, que habita nas trevas, mas acredita ser capaz de carregar em si a luz necessária para viver ali.

O diretor de fotografia Gordon Willis, falecido no último mês de maio, continua desenhando esse embate filosófico durante todo o filme, especialmente na jornada do protagonista Michael Corleone (Al Pacino). O arco do personagem é exatamente essa transição, que ele tenta ao máximo rejeitar, da luz bucólica da Itália para a escuridão dos cômodos fechados onde os rumos da família são decididos.

Francis Ford Coppola conduz essa tragédia grega como uma ópera, ao som da trilha antológica de Nino Rota. O clímax, com o massacre das famílias adversárias em montagem paralela com o batizado na igreja – mais uma vez a oposição entre luz e trevas – é um dos “grandes momentos” pelos quais “O Poderoso Chefão” é lembrado. E com razão: são pouquíssimos os momentos em que a edição foi usada com tamanha maestria para ilustrar o tema e sintetizar a jornada de um personagem.

“O Poderoso Chefão” venceu três Oscars – filme, roteiro e ator para Brando. Foi indicado a 11, devia ter ganhado todos. Nino Rota perdeu para ninguém menos que Chaplin, por “Luzes da Ribalta”, mas a derrota de Willis para “Cabaret” é risível. Muitos dizem que o filme é o melhor de todos os tempos. E assim como a máfia, não são muitos que ousam questioná-los.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave