Churrascaria Ambrosio’s e o turismo estrangeiro em BH

iG Minas Gerais |

acir galvao
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Na churrascaria Ambrosio’s vi uma turma de colombianos feliz da vida com o rodízio de carnes à brasileira. A fartura os impressionava, mas mais do que isso a qualidade dos cortes e o cuidado dos garçons em fatiar finamente o bife ancho, a costela, o cupim, a picanha, a fraldinha, todos ótimos em tempero, ponto de grelha e maciez. Ouvi seus comentários de que, na Argentina, o desperdício tende a ser maior, dado o tamanho das peças de carne que vêm à mesa. De fato, dependendo do padrão da parrilla, isso acontece por lá. Mas convenhamos que o mesmo vale para algumas churrascarias de beira de estrada nossas...  O ponto é muito bem localizado e favorece o acesso de quem se desloca a pé ou de taxi pela Savassi. O serviço de manobrista também ajuda aos motorizados. As instalações são confortáveis e reservadas, permitindo bom isolamento em relação ao movimento das ruas. Quem não quer mesas na calçada nem atmosfera de boteco encontrará ali ótima alternativa para sua refeição. O atendimento é solícito e gentil, providenciando tudo de que precise o comensal, em tempo reduzido. Foi assim com a polenta crocante, sequinha e gostosa, a banana frita e o arroz branco, soltinho, guarnições indispensáveis de um bom churrasco, ao lado da farofinha e do vinagrete, igualmente corretos. Para quem quiser maior variedade de acompanhamento, as saladas e frios do bufê são frescos e vistosos e há pratos com pescados, se você estiver apenas acompanhando um carnívoro juramentado. O preço, na faixa dos R$ 90, se justifica pelo contexto, a concorrência – o Fogo de Chão –, a atmosfera e o ótimo serviço. As sobremesas não me atraíram e a proximidade da sorveteria São Domingos fez com que eu escolhesse uma bola do excelente sorvete de jabuticaba, que só encontro ali e na inesquecível e tradicionalíssima sorveteria Universal, avenida do Contorno, na Floresta. Copa. Belo Horizonte ganhou com a Copa, em divulgação, visibilidade e sobretudo abertura de sua gente para o novo, o diverso. A gente se pergunta o que ficará desse convívio agradável que a cidade teve com a pletora de turistas ingleses, belgas, argelinos, argentinos. Cardápios em pelo menos duas ou três línguas e equipes treinadas para atender estrangeiros já seriam um ótimo saldo, mas a verdade é que o movimento se restringiu a umas poucas regiões da capital e é duvidoso que os proprietários dos estabelecimentos sigam investindo em um processo de preparação continuado. Tendem a ver o que passou como um espasmo.  Os problemas encontrados para se trocar dinheiro são relativamente fáceis de se resolver e tomara que bancos e casas de câmbio busquem solução permanente para esse gargalo. Uma vez encontrei um norueguês – duas décadas atrás, é verdade – que não teve como ir a Ouro Preto no fim de semana porque o único lugar que encontrou para fazer a troca de moedas foi a recepção do hotel em que se hospedara, onde quiseram lhe impor taxas extorsivas. Outro item que se mostrou insuficiente para dar conta do recado, sem falar no improviso compatível apenas com eventos específicos, foram os banheiros químicos. Segue urgente a necessidade de banheiros públicos, como os de Santiago do Chile e os de Paris. Se a gostosura do torresmo e do tropeiro, a beleza das mineiras e a simpatia de nossa gente não forem ingredientes bastantes para programar férias em Belo Horizonte, que pelo menos sejamos o ponto de partida para incursões em nosso riquíssimo sertão, na busca de maravilhosas cavernas, cachoeiras, trilhas e patrimônio cultural. De Carrancas ao Peruaçu, de Milho Verde a Maringá de Minas, há muito o que vender no turismo pós-Copa com que a gente sonha. É de se esperar que os governos e as agências lancem mão do apelo momentâneo para inaugurar belos sites multilíngues e campanhas publicitárias inteligentes fora do Brasil.

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