Espetáculo “Clariceanas” se apresenta no Sesc Palladium

Trabalho se pauta na obra de Clarice Lispector e no improviso, pesquisado pela Quik Cia.há muito tempo

iG Minas Gerais | gustavo rocha |


Trabalho é improvisado e recebe convidados a cada apresentação
Ilana Lansky
Trabalho é improvisado e recebe convidados a cada apresentação

A escritora Clarice Lispector é uma espécie de fenômeno pop das redes sociais por conta de trechos de sua obra literária ou que são atribuídos a ela, que são reproduzidos e compartilhados por uma grande quantidade de pessoas.

Clarice também serve de inspiração para a elaboração de trabalhos artísticos. É o caso de “Clariceanas”, da Quik Companhia de Dança, atração de amanhã no foyer do Sesc Palladium. A apresentação faz parte do projeto Pauta em Movimento, que ainda oferece a oficina “Permeabilidades: estratégias para uma dança criativa”, destinada a dançarinos, performers e atores, ministradas pelos integrantes da Quik, hoje e amanhã.

“Na verdade, não temos um texto, uma literalidade das obras da Clarice. Os assuntos abordados por ela nos servem de inspiração”, destaca Rodrigo Quik, bailarino e integrante da Companhia.

Em cena, ele e sua parceira, Letícia Carneiro, improvisam, com a participação de artistas de outros coletivos. Na ocasião, Guilherme Morais, Sandra Santos, Marise Diniz e Raquel Pires se juntam a eles. “Nós não temos nada combinado. O nosso único acerto é chegar mais cedo, todos os artistas, e ler um texto – sempre da Clarice – que nos servirá de inspiração”, revela Quik.

O improviso tem a mediação de Marcelo Kraiser – estudioso da obra de Clarice Lispector –, mas não se ampara em preceitos tão claros, como espetáculos de teatros de Match de Improvisação, por exemplo, com tempo cronometrado e um juiz que decide que improviso é melhor.

Uma das preocupações de Quik é que o trabalho não se feche e seja apenas prazerosa para quem faz, mas que seja interessante para quem o assiste. “As vezes, ele chega nesse hermetismo. O trabalho de improvisação tem uma fragmentação muito grande. Mas, seguramente, uma preocupação nossa é que não seja só pra gente. Não vamos ser herméticos. Ainda assim, esse é um risco do contemporâneo”, ressalta o artista.

Por outro lado, Quik percebe um certo vício do público, das pessoas de um geral, em narrativas lineares. “É um papel nosso construir uma outra formação, outro tipo de fruição para quebrar essa linearidade que o público tanto gosta”, revela.

Agenda

O quê. “Clariceanas”

Quando. Amanhã às 20h30

Onde. Foyer do Sesc Palladium (av Augusto de Lima, 420, centro)

Quanto. Gratuito

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