Redes sociais agora dividem espaço com sites de relacionamento

Por outro lado, perfis em sites costumam ser planejados cuidadosamente

iG Minas Gerais | Jenna Wortham |

Realidade. Pelas redes sociais, cada um pode aprender sobre as viagens, vida social e preferências alimentares do outro
Lou Beach/The New York Times
Realidade. Pelas redes sociais, cada um pode aprender sobre as viagens, vida social e preferências alimentares do outro

Nova York, EUA. Outro dia, meu amigo Steven contou sobre um primeiro encontro incrível que teve. O rapaz com quem ele saiu era ótimo: inteligente, charmoso e um completo cavalheiro. Mas Steven também estava animado com o modo com que se conheceram. Foi online – não por um site de relacionamentos, mas pelo Instagram, aplicativo de fotos.  

Mas Steven, um jovem do Brooklyn, em Nova York, que trabalha com mídia digital, explicou que fazer conexões românticas em redes sociais estava dando certo. Embora existam muitos serviços e aplicativos que ajudam a encontrar alguém para namorar, pode ser mais fácil usar espaços online que as pessoas já frequentem, como o Instagram.

De certa forma, grande parte da paquera hoje ocorre online, pois muita gente se comunica através de um dispositivo ou aplicativo. Muitos combinam as coisas online: “Onde podemos nos encontrar na sexta?”. E até usam o Google para pesquisar informações sobre um possível parceiro, ou se debruçam sobre mensagens de e-mail ou de texto de uma paquera, tentando decifrar significados. Talvez muitos se sintam compelidos a publicar atualizações sobre relacionamentos no Facebook e sites parecidos.

No caso de Steven, depois que um estranho bonitão começou a segui-lo no Instagram e a “curtir” seus “selfies”, ele começou a seguir o rapaz. Os dois flertaram online e usaram o recurso de mensagens privadas do Instagram para conversar. Depois, concordaram em sair para jantar.

Nesse caso, o Instagram ofereceu uma visão em tempo real de um potencial parceiro. Cada um pôde aprender sobre as viagens, vida social e preferências alimentares do outro – simplesmente navegando pelas informações livremente compartilhadas na mídia social.

“Existe uma excitação em aprender sobre outra pessoa, onde ela vai e se seus amigos parecem divertidos. É impossível não se encantar”, disse Steven.

Ele disse que aquilo pareceu mais honesto – e emocionante, devido ao aspecto inesperado de se fazer um amigo online – do que o modelo comum de site de namoro, que permite que os membros analisem descrições e perfis estáticos.

Natural. A experiência de Steven é bastante comum. Em maio, o Pew Research Center entrevistou mais de 2.200 pessoas e descobriu que 15% usaram redes sociais para chamar alguém para um encontro.

Segundo Katie Heaney, autora de “Never Have I Ever”, uma biografia de namoros, que também escreve para o site de notícias BuzzFeed, conhecer alguém pela mídia social pode ser muito mais atraente do que usar os sites tradicionais de namoro, pois é possível obter uma impressão mais realista da pessoa.

Enquanto os perfis em sites de namoro costumam ser cuidadosamente planejados, as pessoas deixam transparecer mais sua individualidade e personalidade através de interações casuais no Twitter e Instagram, afirmou ela. “Isso dá a ideia de que você conhece a pessoa melhor do que através de um perfil de namoro online”.

Sucesso

App. Aplicativos como Tinder e Hinge também são “cupidos” famosos atualmente. Neles é possível navegar por fotos de pessoas que afirmaram ser solteiras, e então indicar seu nível de interesse.

Flash

Anônimos. Apps como Secret e Whisper, com postagens e comentários anônimos, estão sendo usados para conexões amorosas, segundo os proprietários dos sites.

Fenômeno parece ajudar ainda mais as páginas especializadas Nova YoRk. Esse fenômeno estaria prejudicando a tradicional indústria de relacionamentos online? Aparentemente não. Armen Avedissian, diretor operacional do site de namoro eHarmony, disse que o serviço cresceu muito no ano passado – de 500 mil a 765 mil assinantes, um ganho de 55%. E o tempo que as pessoas passam no site e seu aplicativo móvel aumentou 50%. Segundo Avedissian, a popularidade da mídia social parece ter levado a uma maior consciência dos aplicativos e serviços de namoro – possivelmente reduzindo o estigma associado ao uso de ferramentas online para conhecer pessoas. “As redes sociais geraram um uso global para nós. Isso nos ajudou a penetrar em mercados inéditos. Além de passar mais tempo conosco, as pessoas estão pagando mais”.

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