A rotina de trabalho e os momentos de descanso

iG Minas Gerais | Lygia Calil |

Felipe Rameh na cozinha-show da nova casa, o Alma Chef, que congrega restaurante, escola, loja e espaço para eventos
Mariela Guimarães
Felipe Rameh na cozinha-show da nova casa, o Alma Chef, que congrega restaurante, escola, loja e espaço para eventos

O Gastrô acompanhou o chef em ação na sexta-feira passada, 11, por mais de 17 horas de trabalho, das 9h às 2h40. Durante o período, ele cruzou quatro vezes os dois quarteirões que separam o Alma do Trindade. Almoçou salada, arroz com feijão, galeto assado, farofa de panko com ovo e taioba refogada, tudo regado com muita pimenta. Depois, sem cerimônias, repetiu – desta vez, com moqueca de badejo e camarões.

O dia foi ocupado com reuniões, entrevistas e ao celular, aparelho do qual não se desgrudou, resolvendo questões dos dois restaurantes. Fora isso, discutiu o andamento das duas casas com funcionários, questionando desde compromissos importantes até detalhes, como a temperatura do ar-condicionado da cozinha-show.

Quando finalmente entra na cozinha, Rameh parece ganhar mais braços, quando, por exemplo, finaliza 15 pratos de uma vez só, ou pega uma praça de entradas com nove pedidos pendentes e termina a tarefa em 10 minutos.

Por ficar pouco em casa, a mulher dele, Nara, às vezes leva a filha, Antônia, de 1 ano e 4 meses, para passar algumas horas com o pai no restaurante, na parte da tarde. “O ritmo de trabalho é louco, mas sei que isso é passageiro. Ser cozinheiro é abrir mão de muita coisa, como deixar de ter vida social. Passei cinco anos em São Paulo, mais três fora do país. Ficava meses sem ver meus pais e amadureci na base da porrada. Não quero fazer drama, mas tinha dia de bater na cama e chorar de saudade e de desespero”, relembra.

No meio gastronômico, existe a máxima de que o domingo de cozinheiro é a segunda-feira, o dia de descanso. Para Rameh, isso não é exatamente uma verdade, porque ele aproveita este dia para dar aulas e fazer reuniões. O espaço na agenda do chef para o ócio é o domingo à noite. “Aí, pego minha filha, minha mulher e vou tomar um vinho no (restaurante italiano) Domenico ou um saquê em um japonês”, diz. 

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