Patrimônio de candidatos cresce mais de R$ 4,5 milhões

Políticos betinenses que não têm outra atividade além do próprio mandato chegaram a quadruplicar recursos; Pinduca é o único que diz ter ficado mais ‘pobre’

iG Minas Gerais | Lisley Alvarenga |

A declaração dos bens dos principais candidatos a deputado estadual e federal do município revela que, ao entrarem para a vida pública, 90% dos políticos betinenses “rechearam” a conta bancária. De acordo com levantamento feito por O Tempo Betim com base nos dados apresentados por eles ao Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) para as eleições de 2014, a evolução patrimonial de 11 candidatos da cidade, em apenas um mandato, cresceu mais de R$ 4,5 milhões.

Dos políticos que buscam a reeleição, o deputado estadual Ivair Nogueira (PMDB) foi o que mais engordou seus bens. Disputando seu sexto mandato na Assembleia Legislativa, ele viu o próprio patrimônio aumentar de R$ 5,5 milhões, em 2010, para R$ 7,6 milhões, em 2014, um aumento de quase 40%.

Entre os bens mais caros declarados pelo parlamentar estão uma área localizada na região do bairro Bandeirinhas, com valor de mais de R$ 1,8 milhão, e metade de um prédio no centro da cidade, de R$ 1 milhão.

O segundo posto é o do deputado estadual Rômulo Veneroso (PV), que, neste pleito, tentará pela primeira vez uma vaga na Câmara dos Deputados, em Brasília. Em 2010, ele informou à Justiça Eleitoral que tinha um patrimônio estimado em R$ 656 mil. Quatro anos depois, o valor é superior a R$ 2 milhões.

Dentre os “veteranos” da política de Betim, o único político que alegou estar mais “pobre” de um mandato para o outro foi o deputado estadual Pedro Ivo Caminhas, o Pinduca (PP). Segundo ele, que corre o risco de não poder se candidatar por já ter sido condenado pela Justiça, o seu patrimônio caiu de R$ 1,096 milhão, em 2010, para R$ 1,006 milhão, neste ano (redução de 8%).

Há, porém, quem questione as declarações feitas pelos políticos ao TRE. Isso porque os bens informados por eles não coincidem com os vencimentos que recebem ou até mesmo com o padrão de vida que exibem.

A deputada Maria Tereza Lara (PT), por exemplo, informou que, em 2010, em seu quarto mandato, tinha um patrimônio de “apenas” R$ 315 mil. Já em 2014, ela registrou R$ 362 mil. Pelo valor de mercado, apenas dois apartamentos de sua propriedade no condomínio Parque das Amoras, no bairro Espírito Santo, já ultrapassariam os R$ 400 mil. A irmã dela, MDC (PT), quando buscou se reeleger como prefeita de Betim, declarava ter R$ 134 mil em bens. Dois anos depois, ela engordou sua conta com irrisórios R$ 6.000.

Novatos

Dos políticos que tentam uma vaga na Assembleia Legislativa pela primeira vez, o vereador Antônio Carlos (PT) é o que teve a maior variação positiva em sua vida financeira. O petista não precisou de mais do que dois anos para conseguir o que muitos brasileiros não alcançam com uma vida inteira de trabalho: ter o patrimônio quadriplicado. Em 2012, ele, que até o ano passado cursava direito, declarou à justiça ter R$ 50.200. Dois anos depois, já eram R$ 215 mil (crescimento de 328%).

O colega de partido Daniel Costa também vive uma fase de prosperidade. Os R$ 664 mil de patrimônio viraram R$ 971 mil. Em apenas dois anos, Costa ficou 46% mais rico.

Welinton Santos de Abreu, o Sapão (PSB), também destaca-se por sua evolução de bens. Em dois anos no Legislativo local, o vereador conseguiu aumentar seu patrimônio em R$ 215 mil. O ex-vereador Geraldo Pimenta (PCdoB) teve um ugrade de R$ 130 mil. Já o médico Vinícius Resende (SD), candidato a deputado estadual, incrementou seu patrimônio em R$ 129 mil. Renato Ti-Rei (PSDC), que busca uma vaga em Brasília, declarou um crescimento de R$ 55 mil.

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