Tropa acusa comandante de perseguição e assédio moral

Denúncias levaram Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) a pedir o afastamento do chefe da Polícia Militar no município

iG Minas Gerais | José Augusto |

Audiência foi realizada na quarta-feira (16), na Assembleia Legislativa de Minas Gerais
Nelson Batista
Audiência foi realizada na quarta-feira (16), na Assembleia Legislativa de Minas Gerais

 

A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) aprovou um requerimento pedindo o afastamento do comandante do 33º Batalhão de Polícia Militar, de Betim, tenente-coronel Jair Antônio Pontes Neto, em audiência pública realizada na última quarta-feira (16).    O pedido foi feito após a comissão receber denúncias de que policiais lotados em Betim estariam sendo vítimas de violação de direitos humanos. Durante a audiência, foram apresentadas mensagens de militares que atribuem ao comandante perseguições a quem pedia licença médica. “Recebemos vários relatos de que o comandante estaria perseguindo policiais. Inclusive, há mensagens emitidas por ele aos comandantes de companhia solicitando o nome dos policiais que mais tiravam licença médica para que fossem transferidos. Com isso, a escala foi mudada, e o remanejamento prejudicou os policiais, que foram rebaixados”, afirmou o autor do requerimento, deputado Sargento Rodrigues (PDT).   “Além disso, há várias outras denúncias de perseguição e assédio moral. Por isso, solicitei o afastamento do comandante, para que todas sejam apuradas e ele tenha seu direito de ampla defesa preservado”, completou.   A audiência pública contou com a presença de Débora Júlia de Carvalho, viúva do cabo Cristian Pablo da Silva, que cometeu suicídio no último dia 3. De acordo com ela, o marido fazia tratamento psiquiátrico há um ano e meio e fazia uso de medicamento controlado. “Entretanto, nos últimos meses, ele havia abandonado o tratamento, porque ficava com medo da pressão do comando, que poderia transferi-lo para outros locais, longe da família. Ele dizia que não ia mais às consultas porque não poderia mais pegar licença. Até podem existir policiais que enrolam para conseguir licença médica, mas meu marido não. Como ele não aguentou a pressão, acabou se suicidando usando a arma da polícia”, afirmou.   “Ele não poderia andar armado, isso (a morte) poderia ter sido evitado”, acrescentou. Na última segunda-feira (14), outro policial teria tentado se enforcar no 33° Batalhão.   Apuração Além do afastamento do comandante, a comissão aprovou outro requerimento pedindo a apuração das denúncias feitas pelos militares do 33º Batalhão e da morte do cabo Cristian.

 

Comandante nega acusações

O comandante do 33ª Batalhão, tenente-coronel Jair Antônio Pontes Neto, afirmou, durante audiência, que o remanejamento dos policiais ocorreu para melhor gerir os recursos humanos. “Betim tem um índice de criminalidade alto. Por isso, houve um remanejamento, que teve como objetivo fazer com que o policial que estivesse com problemas de saúde não se sentisse sem função e passasse a trabalhar em uma rotina menos desgastante”, disse. “Não fizemos nenhum movimento de perseguição. Tentamos realocar o efetivo para que o serviço à população continuasse sendo prestado da melhor maneira possível”, completou.

 

Quanto ao caso do cabo que cometeu suicídio, o comandante disse que o médico nunca determinou que o policial tivesse que estar desarmado. “Cumprimos todas as ordens médicas e sentimos muito pela morte dele”, completou Pontes.   O comando geral da PM em Minas informou que só vai se pronunciar sobre os requerimentos assim que for notificado oficialmente.

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