Mau humor externo contamina ações brasileiras e Bolsa tem 2ª queda

O Ibovespa passou por instabilidade ao longo do dia e chegou a subir cerca de 800 pontos em apenas 30 minutos no meio da tarde

iG Minas Gerais | Da redação |

O principal índice da Bolsa brasileira fechou esta quinta-feira (17) em leve queda de 0,14%, para 55.637 pontos, influenciado pelo clima de aversão ao risco no exterior em decorrência das novas sanções dos Estados Unidos contra a Rússia e ao agravamento da crise na Ucrânia após a queda de um avião comercial no leste do país.

O Ibovespa passou por instabilidade ao longo do dia e chegou a subir cerca de 800 pontos em apenas 30 minutos no meio da tarde, estimulado pela expectativa dos investidores por pesquisas eleitorais previstas para esta semana.

"Além das turbulências externas e o cenário político nacional, a forte oscilação refletiu também a proximidade do vencimento de opções sobre ações, que ocorre na segunda-feira na BM&FBovespa", diz Alexandre Wolwacz, diretor da escola de investimentos Leandro & Stormer.

As ações de estatais voltaram a ter desempenho positivo nessa quinta diante das apostas do mercado de que a presidente Dilma Rousseff (PT) deverá perder pontos em levantamentos de intenções de voto na eleição presidencial de outubro. Segundo analistas, os investidores estão insatisfeitos com a gestão dessas empresas pelo atual governo.

A ações da Petrobras estiveram entre as maiores altas do dia. O Banco do Brasil teve valorização de 0,55%, para R$ 27,50. Já a ação preferencial da Eletrobras, que subiu durante parte do dia, perdeu força e encerrou em leve queda de 0,18%, a R$ 11,25.

Os investidores avaliaram ainda a notícia de que a economia brasileira registrou em maio o pior desempenho dos cinco primeiros meses do ano, e as expectativas são de que junho possa trazer dados ainda piores sobre a atividade. O indicador de atividade calculado pelo Banco Central (IBC-Br) mostrou retração de 0,18% no quinto mês do ano em relação a abril.

A Oi teve uma das maiores quedas do Ibovespa, após ter subido 12,8% no dia anterior. A operadora brasileira e a Portugal Telecom, com quem está em processo de fusão, tiveram suas classificações de risco cortadas para grau especulativo pela agência Fitch Ratings, na noite de quarta-feira.

Em sentido oposto, a Embraer ficou entre as principais altas do Ibovespa. A companhia fechou acordo para vender 60 aviões comerciais de passageiros modelo E190 para a China.

Câmbio e juros

No câmbio, o dia foi de pressão sobre o dólar por causa do clima de aversão ao risco internacional e após a decisão do Banco Central do Brasil, na véspera, de manter inalterado o juro básico nacional, a taxa Selic, em 11% ao ano.

Apesar de a decisão do BC ter sido amplamente antecipada pelo mercado, o comunicado da autoridade após o término do encontro surpreendeu ao manter a frase "neste momento", o que pode significar um possível afrouxamento monetário na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), na esteira do fraco desempenho da economia, segundo operadores.

O dólar à vista, referência no mercado financeiro, teve valorização de 0,79% sobre o real, cotado em R$ 2,259 na venda. Já o dólar comercial, usado no comércio exterior, subiu 1,66%, para R$ 2,259.

"O dólar tende a ter alta em anos eleitorais, refletindo incertezas sobre a condução da política econômica pelo próximo governo. Em 2014, porém, a moeda está em sentido oposto. O clima de aversão ao risco no exterior, especialmente em torno do conflito entre Ucrânia e Rússia, fez a moeda disparar hoje. No momento, é algo pontual. O dólar só vai mudar a tendência para alta quando ultrapassar R$ 2,30", diz Wolwacz.

Para ele, não é interessante ao governo que o dólar ultrapasse os R$ 2,30. "Por isso, se a moeda continuar subindo, a autoridade pode ampliar suas intervenções no mercado de câmbio para conter a valorização. Por ora, esse instrumento não é necessário", completa.

O Banco Central deu continuidade ao seu programa de intervenções diárias no câmbio, através do leilão de 4 mil contratos de swap (operação que equivale a uma venda futura de dólares), pelo total de US$ 198,8 milhões.

A autoridade também promoveu outro leilão para rolar os vencimentos de contratos de swap previstos para 1º de agosto, por US$ 346,4 milhões. Até o momento, o BC já rolou cerca de 36% dos papéis com prazo para o primeiro dia do mês que vem.

No mercado de juros futuros, o contrato mais negociado teve queda de 0,46%, prevendo uma taxa de 10,71% em janeiro de 2015. Os demais contratos, com vencimentos até 2019, tiveram em baixa.

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