O que devemos fazer agora é refletir sobre o futuro do país

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DUKE
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O ideal seria pôr fim logo ao sofrimento que a Copa do Mundo nos propiciou, mas falta ainda uma simples observação. No início do mês, a presidente da República, Dilma Rousseff, fez esta infeliz analogia: “Meu governo é padrão Felipão”. Dias depois, se deixou fotografar usando a mão direita como haste e o antebraço esquerdo como travessão, formando o “T” do “Tóis” – uma palavra mágica inventada pelo jogador Neymar, que, segundo minha neta, significa o mesmo que “Nóis” –, uma corruptela do pronome “nós” (primeira pessoa do plural de ambos os gêneros). A presidente pode até ter resistido à tentação, mas, orientada pelo seu ministro marqueteiro, se decidiu, já no fim, pelo uso do futebol em favor da sua reeleição. E outra vez errou. Esqueceu-se de que o esporte não deve servir à política nem ser usado por ela. Confesso que, antes do início da Copa, sonhava com o astral do povo brasileiro lá no alto. Imaginei o melhor dos mundos: uma final entre Brasil e Costa Rica. Se o Brasil vencesse, o bom astral continuaria alto; se o excelente time de Costa Rica fosse vitorioso, o bom astral não seria tão afetado. Pessoalmente, eu até sentiria um pouco de orgulho pela seleção costa-riquenha, que, na dura luta contra a Holanda, ao contrário do que nos aconteceu, deixou honrosamente o gramado. É preciso dizer, então, leitor, que a dor das pauladas que tomamos precisa de tempo para passar. E, quando a ferida fechar, a cicatriz não desaparecerá, viverá meio século ou, talvez, um século inteiro. Ou – o mais provável – ficará “per omnia seacula seaculorum”... Como disse certa vez o professor, escritor e ex-senador Edgard Godoy da Mata Machado, mas por motivos bem mais sérios do que uma simples derrota no futebol, “sofrer passa, o que não passa nunca é ter sofrido”. Somente o tempo, nada mais, saberá pensar a ferida que se abriu no coração do outrora alegre povo brasileiro. Li tudo, ou quase tudo, sobre a dura paulada que a Alemanha nos deu. Finalmente, na última quinta-feira, encontrei alguém também lúcido. Após afirmar (como tem dito o nosso Tostão, o melhor comentarista da Copa) que “o Brasil parou no tempo”, o ex-jogador Pierre Littbarski, vice-campeão mundial em 1990, analisou assim o desastre e soube ainda apontar sua maior causa: “A seleção brasileira sofreu um colapso nervoso e perdeu inteiramente o controle na partida contra a Alemanha”. O craque, que hoje trabalha no Wolfsburg (clube do volante Luiz Gustavo), lamentou que o “jogo do século” terminasse como terminou: “Sem um meio de campo compacto, não recebeu uma orientação de emergência (do Felipão) para mudar a tática quando o placar chegou a 2 a 0”. Não sei se ele diria o mesmo após a paulada da Holanda. Lá se viu: o colapso não foi só da seleção, é do nosso futebol. Logo após a primeira e terrível paulada (7 a 1), alguns políticos já se apresentaram com sugestões estapafúrdias. O ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, por exemplo, querendo melhorar o que antes dissera a presidente Dilma Rousseff, abriu sua esfarrapada cartilha e sugeriu a intervenção do Estado no futebol. Menos, ministro. É preciso pensar bastante antes de falar. Ou o que o seu governo deseja é acabar com o nosso futebol? O que devemos fazer agora, ministro, além de refletir sobre o futuro do nosso país, é reconhecer que, se não fosse o povo brasileiro, essa Copa teria sido um desastre ainda maior fora de campo! E queremos as contas, a partir do Itaquerão!

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