Choque de realidade pós-Copa

Torcedores terão que conviver mais uma vez com vários pontos negativos do esporte no país

iG Minas Gerais | Thiago Nogueira |

Acabou. Torcedores que curtiram grandes jogos durante a Copa precisarão de um período para se acostumar às competições locais
Uarlen Valério
Acabou. Torcedores que curtiram grandes jogos durante a Copa precisarão de um período para se acostumar às competições locais

Não é preconceito, é choque de realidade. Com o fim da Copa do Mundo, o futebol brasileiro volta suas atenções para competições nacionais e sul-americanas. Nada se compara à organização da milionária competição da Fifa e, por isso, torcedores, atletas e profissionais de imprensa vão demorar alguns dias para retomar os hábitos normais.

A sensação é popularmente chamada de “depressão pós-Copa”. “É de se esperar, sim, certo desânimo. Foram feriados, mudança na rotina, festas e comemorações. Voltar à rotina nos leva para o real novamente e a volta para o real não é fácil, ainda mais depois de um evento grande como a Copa, em que o investimento emocional é grande, aliado a inúmeras expectativas que foram criadas”, explica a psicoterapeuta sistêmica, Camila Lobato.

Não tem jeito. Acabou toda aquela preparação para ir aos estádios, não há mais praças de exibição em telões e as folgas no trabalho terminaram. Os resquícios da Copa ficarão nas pinturas de muros e nos enfeites pelas ruas, findados a desmanchar com o tempo.

Dois dias depois de narrar a final da Copa do Mundo, no Maracanã, o locutor esportivo Milton Naves, da Rádio Itatiaia, voltou a assumir o microfone para relatar América e Paraná, no Independência, pela Série B do Campeonato Brasileiro.

“É lógico que não é igual. Mas, independentemente do jogo, é o nome da rádio que está em jogo. Sem demagogia. Nessa quarta, no Independência, o elevador estava em manutenção, mas o gramado estava perfeito. O público foi de 3.000 pessoas, são torcedores que sempre vão, mas que estavam com saudades do time”, compara Naves, que narrou dez jogos no Mundial do Brasil, sua oitava Copa do Mundo.

Pelas redes sociais, o assunto está na lista de debates. “Estou comendo uma barra de chocolate por dia desde que acabou a Copa. Isso configura depressão pós-Copa, sim”, comentou uma usuária pelo Twitter.

Mas os especialistas ressaltam que a situação é passageira. “A frustração é grande, mas tem um período de latência. Uma semana depois, o torcedor já está readaptado. Ele elege um ranking de prioridades dentro do padrão brasileiro e cria novos valores”, destaca o psicopedagogo Luiz Carlos de Moraes.

Juiz aposenta

Árbitro histórico. O mexicano Marco Antonio Rodríguez, árbitro que conduziu a semifinal histórica em que o Brasil foi goleado pela Alemanha pelo placar de 7 a 1, no Mineirão, anunciou nessa quarta que vai se aposentar. Aos 40 anos, ele se despede da função após participar de três Mundiais e apitar mais de 400 jogos ao longo da carreira. Rodríguez também conduziu a vitória do Uruguai por 1 a 0 sobre a Itália, no jogo que ficou marcado pela mordida de Suárez em Chiellini. O juiz acabou não vendo o lance e deixou a partida seguir.

Argentinos

Acampamento. Três dias após a final da Copa, os últimos argentinos acampados no centro do Rio foram obrigados a deixar na manhã dessa quarta o Terreirão do Samba e a praça da Apoteose. A saída dos turistas foi monitorada por agentes da Guarda Municipal. Até as 10h30, com pouco mais de cem argentinos no local, não houve qualquer tipo de incidente. Por recomendação da prefeitura, as duas áreas abrigaram carros e motorhomes estrangeiros durante o campeonato.

Justiça mantém diretor da Match preso

Pedido negado. A Justiça negou, nessa quarta, pedido que permitiria que o diretor executivo da empresa Match, o inglês Raymond Whelan, 64, fosse solto. Whelan está preso em Bangu 10, um dos presídios do complexo penitenciário de Gericinó, desde segunda-feira.

A defesa tinha pedido à Justiça que a liminar para o pedido de habeas corpus que o liberara da prisão temporária decretada no dia 7 fosse válida também para a prisão preventiva, decretada no dia 10.

Na decisão, a desembargadora Rosita Maria de Oliveira Netto, da 6ª Câmara Criminal, afirma não ser possível estender os efeitos da liminar porque “a prisão preventiva tem fundamento diverso” da temporária. A prisão preventiva de Whelan foi pedida quando o Ministério Público apresentou à Justiça denúncia contra ele e outros 11 acusados de organização criminosa, cambismo, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal.

O diretor executivo da Match ficou foragido por quatro dias. Ele é acusado de liderar o esquema de desvio de ingressos de jogos da Copa para cambistas.

Goleada ainda rende assunto

Psicóloga. Dois jogadores da seleção procuraram ajuda após o amistoso contra a Sérvia e a estreia na Copa do Mundo contra a Croácia. A revelação foi feita pela psicóloga Regina Brandão no programa Encontro com Fátima Bernardes, da TV Globo. A profissional acompanhou o grupo de atletas durante o Mundial.

“É um caldeirão de estresse que eu nunca tinha sentido. É como se você tivesse uma panela de pressão, vai colocando pressão lá dentro e a tampa não deixa sair o ar. Uma hora essa tampa explode”, disse Brandão.

Humilhação. Uma unidade do Google escondeu notícias e textos que foram considerados muito negativos e humilhantes sobre a derrota da seleção brasileira para a Alemanha por 7 a 1. No serviço “Google Trends”, em português, textos com as palavras “humilhação” e “vergonha” (termos entre os mais pesquisados no Google Brasil no dia do jogo) não foram listados. A equipe decidiu não publicar os textos porque eram muito negativos, mesmo que tenha sido de fato vergonhosa a goleada.

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